terça-feira, julho 27, 2010
pó
Nessa altura ainda me descalçava, tinha essa coragem. Agora tenho medo que os meus pés fiquem cheios de pó. Tenho medo de perder o brilho e ficar cozido debaixo deste Sol embaciado.
Agora estou a estalar os dedos para fazer tempo. Quero que te vás embora com o pó, por isso vou sacudindo o pouco que já tenho nas mãos.
Cada vez que o comboio passa e faz tremer a casa, vou ficando com mais pó sobre o meu corpo.
Não é que me importe, mas tenho medo de ficar cego.
sexta-feira, julho 23, 2010
A terrivel tragédia do Semicontente (3)
Com tanto amor sente-se hiper-ventilado e ele não consegue viver só do ar.
segunda-feira, julho 19, 2010
fim.
Mas também fica a sensação de angústia, a sensação de ruína de onde vamos erguer a nossa própria cidade.
segunda-feira, julho 12, 2010
domingo, julho 11, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
felizmente.
Nunca fui à India.
Nunca fui a um concerto dos Radiohead.
Nunca fui à Lua.
Nunca chafurdei na lama.
Nunca caí de um décimo andar.
Nunca fiz o pino durante duas horas.
Nunca andei numa vespa.
Nunca mergulhei no Mar Vermelho.
Nunca cantei uma canção de amor a ninguém.
Nunca disse nada bonito ao meu cão.
Nunca morri por amor. (juro)
Nunca fiz dança clássica.
Nunca experimentei heroína.
Nunca dei a volta ao mundo.
Nunca gostei de pó.
Nunca suportei cheiro a lixo.
Nunca vivi na cidade.
Nunca me mascarei de gueixa.
Nunca fui presidente da república.
Nunca parti um prato na cabeça de alguém.
Nunca tive jeito para testes.
Nunca vi o meu esqueleto.
Quando ficar sem tempo, há-de ser para sempre.
domingo, julho 04, 2010
Das cinzas queres ser um osso.
Um osso pode ligar muitos ossos e agarrar muita carne, muitos ossos prendem tendões.
Liberta os tendões dos ossos e cobre a pele de cinzas.
Não te esqueças das papoilas que nascem dos sovacos.
Coça as papoilas com as unhas que a carne segura.
Suja as unhas de terra e levanta a pele das cinzas.
Tenta não ser cadáver antes de o seres e pode ser que haja esperança.
Descansa Homem e roga a Deus por margaridas no teu Inverno.
quinta-feira, julho 01, 2010
quarta-feira, junho 30, 2010
recta final.
O dia da estreia está próximo, as noites sem dormir começam a entrar em contagem crescente.
Qualquer coisa próxima do pânico instala-se num sítio do meu corpo que desconheço, mas que me incomoda muito.
segunda-feira, junho 28, 2010
sexta-feira, junho 25, 2010
terça-feira, junho 22, 2010
isto.
domingo, junho 20, 2010
Espera!
Tenho medo de as não encontrar por acaso.
quinta-feira, junho 17, 2010
Christmas card from a hooker in Minneapolis.
Tom Waits
quarta-feira, junho 16, 2010
A terrível tragédia do Semicontente (2).
O Semicontente sabe que as metáforas silênciam os gritos da guerra, mas nem por isso ela se torna menos dolorosa.
O Semicontente vê tudo a desmoronar-se... em câmara lenta.
O Semicontente fica-se pelas metáforas.
Boa Noite Berlim.
terça-feira, junho 15, 2010
audição\intuição
Hoje fui a uma audição para uma peça de teatro. Foi muito engraçado e até teve direito a contracena com outros candidatos. Bem, no fim o encenador disse-nos: “de vocês todos só vai ser escolhido um, e essa escolha vai corresponder a uma intuição minha, mais nada. Porque já tenho uma imagem do espectáculo.”
Desde esse momento, deixei de confiar nas intuições dos outros.
domingo, junho 13, 2010
O Extravagante (8) - O Fim.
Ela dizia-lhe que ele só sabia incomodar as pessoas e que estava na altura de voltarem para casa. O Extravagante bateu com a mão na mesa, gritou, e com as poucas forças que lhe faltavam Ele disse: Eu só quero que ninguém me chateie.
A mulher calou-se, o velho Extravagante estava fraco e o seu fim estava próximo. A mulher perguntou-lhe se podia ir dormir, Ele não respondeu. Foi nesse momento que o Extravagante percebeu que estava a desenvolver um certo desprezo pelo próximo. Não fazia isto por mal, fazia mesmo por necessidade.
Um dia conheci este Extravagante, não era mau, só não tinha a certeza de gostar de pessoas.
sábado, junho 12, 2010
independência, força, manifesto
No ínicio de cada baile entravam sempre as bailarinas que sabiam dançar. Lembro-me tão bem das sapatilhas rotas que elas usavam. Eu ria-me sempre quando entrava a bailarina gorda, sempre com o dedo grande do pé à mostra. Ela era enorme. Lembras-te?
Passaram-se anos e tu estás igual. As tuas mãos ainda têm o mesmo tamanho. Fico muito contente por não me ter cruzado contigo durante todos estes anos, não queria passar estes anos todos a conter as minhas gargalhadas.
Sabes, tenho muita vontade de me rir das tuas piadas, mas não te quero habituar mal. Rir-me do que tu dizes é demasiado perigoso e passar por perigos é sempre uma chatice. Chego a morder o lábio para não me rir. Estás a ver? Comecei a sangrar, este tipo de coisas não se faz com sorriso na cara.
O mais fácil era tu transformares-te em nuvem, não olho para o céu assim tantas vezes. Assim era mais fácil do que andar para aqui a morder o lábio.
Vou contar-te um segredo: tenho medo do céu, tenho medo que seja muito diferente da minha casa; a minha casa é feia e tu és bem capaz de ter sido a coisa menos tosca que por lá andou.
(ando à espera que estas coisas me aconteçam a mim e deixem de ser ficção)
quinta-feira, junho 10, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
segunda-feira, junho 07, 2010
a melhor montra era o meu elevador.
A verdade é que nesse dia não me importei com o facto de o espelho estar partido. Mas agora, passadas duas semanas, o meu coração não aguenta a falta daquele espelho. Cada vez que saio de casa, tenho a sensação de estar desajeitado. A luz da minha casa de banho não me favorece tanto como a luz cinematográfica do elevador.
Na hora da passagem do leito para o confronto com a realidade, era aquele espelho que me sussurrava ao ouvido: “és o maior”. Agora tenho de me contentar com as montras reflectoras que vou encontrado nas ruas.
O meu ego anda instável com esta situação. E até tenho medo do novo espelho que "eles" vão lá pôr.
domingo, junho 06, 2010
seitan.
Devo dizer que a minha expectativa quanto à virilidade daquele bife era pouca. Não me desiludiu e até me surpreendeu. Para já, olhei para ele e quase me pareceu uma bela i
entremeada com um coirato bastante convidativo. Depois, o molho de pimenta fazia lembrar os melhores molhos das clássicas cervejarias. Finalmente, é importante referir o enjoo tremendo que aquilo me provocou: algo digno, até agora, das grandes feijoadas.
quinta-feira, junho 03, 2010
segunda-feira, maio 31, 2010
as coisas que eu odeio (I)
Odeio não perceber o que os outros dizem.
Odeio não perceber o que eu digo.
Odeio ter de rir sem vontade.
Odeio que me batam nas costas.
Odeio comprometer-me ao fim de semana.
Odeio peles nas unhas.
Odeio cortar o dedo numa brincadeira estupida.
Odeio quando não se riem das minhas piadas hilariantes.
Odeio estar a apaixonado.
Odeio não estar apaixonado.
Odeio não comandar uma conversa.
Odeio que se riam de mim.
Odeio sentir os boxers enfiados no rabo.
Odeio não poder fazer a esparregata.
Odeio ter de voltar a casa com a porta do comboio escancarada à espera que eu entre.
Odeio querer ser criativo e não ter ideias.
Odeio que os outros me vejam chorar.
Odeio perceber que o melhor da turma não sou eu.
Odeio beijar miúdas e perceber que o bigode delas me pica mais a mim, do que o meu lhes pica a elas.
Odeio casas com muita mobília. (cria pó)
to be continued...
domingo, maio 30, 2010
sms\livro
Pois eu digo, do divino não será, mas lá que há coisas que uma pessoa fica à rasca, lá isso há!
sexta-feira, maio 28, 2010
quinta-feira, maio 27, 2010
sobre aquela coisa que nós gostamos muito.
Bernard-Marie Koltès
quarta-feira, maio 26, 2010
segunda-feira, maio 24, 2010
ontem.
E agora estamos todos poéticos.
E agora estou.
Não quero saber do luar, só do que está debaixo dele.
Quero ver uma imagem e fazer parte dela.
Posso ser um filho morto, caído de cabeça pendurada, ao colo de uma mãe. Matrona que a natureza escolheu. Mãe dos guerreiros sem armas de metal. Mãe árvore que testemunha o círculo (quase) perfeito, círculo que nos devolve a vida enquanto os ramos se cansam.
E agora os filhos morrem nas palavras e vivem nas entre-linhas.
E agora estamos cada vez mais cheios de recordações e vazios de espirito.
E agora fechamos o parêntesis.
E agora?
quarta-feira, maio 19, 2010
domingo, maio 16, 2010
sábado, maio 15, 2010
quarta-feira, maio 12, 2010
rent a life.
Alguém o pode cavar por mim? Sim?
Alguém quer viver a minha vida?
O aluguer não é muito caro.
Agora a sério.
sábado, maio 08, 2010
Mein Liebster Fiend
No final, podemos escolher a melhor parte, a parte da borboleta que sempre voou nas entrelinhas do discurso desajeitado de dois irmãos. É desta maneira que te vou recordando. Esta borboleta aparece também entre as gotas da chuva, não se molha, e nós demoramos tempo a encontrá-la. A borboleta fica suspensa para sempre e nós achamos que isso é pouco.
sábado, maio 01, 2010
Quem?
Não tenho idade para saber como se faz.
Mas tens idade para fazer pouco de mim.
És um romântico.
Um quê?
Um romântico...
Tu não falas assim comigo.
Assim como?
Assado.
E cozido.
Porque é que falas por metáforas?
Porque é que cantas aquilo que não podes?
Diz-me lá para eu ir dar uma volta. A ver se eu vou.
E se não me contasses essas histórias todas. Sobre a escola. E o teu eu.
Eu... quem?
Aquele que não fala. Sabes?
Hm...
Vai pedir ajuda a outro. Sim? Alguém com paciência... de santo. António.
As tuas.
As minhas?
Coisas.
E o silêncio? Onde é que...
Onde?
Onde fica?
Ali ao ao fundo.
Não sou daqueles.
Que vão?
Ah sim, sou dos que vou indo.
Vou até ao fim do cu do Judas.
Como é que sabes onde fica o cu do Judas?
Jesus disse-me.
Quem?
Jesus, o que morreu na cruz. Alta.
Coitado. O que é que ele fez?
Judiarias.
Para saber onde é o cu do Judas, não dever ter feito boa coisa.
És um herege.
Um quê?
Um herege.
Ah, um herege. Qual é o problema?
É que... eu não sei quem foi Jesus.
Sei melhor quem foi o meu pai.
Acho que acredito mais no meu pai do que em Jesus.
Quem é o teu pai?
É o...
Ah!
Calma. Não fales assim do meu pai.
Sei lá quem foi o teu pai.
O meu pai era um travesti.
Um quê?
Um herege.
quarta-feira, abril 21, 2010
Descobertas recentes (2)
Depois desta, este blog suporta tudo.
quinta-feira, abril 15, 2010
segunda-feira, abril 12, 2010
A terrivel tragédia do Semicontente
Então foi viajar.
O Semicontente gosta de lugares de transição. Nunca sabe o que vai acontecer.
Segurança no esquecimento.
É seguro que o semicontente se apaixone, porque tudo fica ali, onde os que sabem não sabem que o Semicontente sabe que é imortal.
O Semicontente fecha-se na bolha da transição, fecha-se na semi-partida e na semi-chegada.
O Semicontente esqueceu-se que a bolha do esquecimento rebenta.
O Semicontente apaixonou-se pela transição rompida pelas lágrimas.
O Semicontente está pronto para o download.
O Semicontente lembrou-se.
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
As memórias não atenuam o sofrimento caseiro, aquele que entala as entranhas e que nos dá um nó na respiração.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Sem causa.
domingo, janeiro 24, 2010
cinzento.
A caminho do café passei pela estação que estava deserta, não se via ninguém. A atmosfera estava muito cinzenta. O cinzento já é uma cor deslavada, mas este cinzento era mais deslavado do que os outros cinzentos. A bilheteira tinha as persianas corridas. Havia uma poça no chão que reflectia o céu cinzento, mas houve qualquer coisa vermelha que passou repentinamente pelo reflexo e eu nem vi o que era. Continuei o meu percurso agora subia a rua principal que segue até a rotunda. Passei por um jardim com dois bancos vazios e uma menina de saia e colants, tinha uma casaco azul e estava a rir-se para mim. Deu-me vontade de chorar, mas consegui conter as lágrimas. Subi mais um bocado a rua, cheguei ao café, peguei num tabuleiro. A rapariga que me atendeu estava vestida da mesma forma que a menina do jardim e o sorriso tinha envelhecido.
sábado, dezembro 05, 2009
O Grito
Como estava a ficar bastante aborrecido com esta história, Grito foi entregar-se as autoridades, dizendo que queria ser preso. Grito é então encarcerado na prisão mais segura da cidade. Não tinha ninguém com quem dividir a cela, todos os dias a mesma comida.
Agora o Grito queria arranjar maneira de se safar da prisão, mas não conseguia arranjar maneira, até que se lembrou de uma ideia que lhe parecia brilhante: espetar uma faca no corpo e fingir-se de morto. Então, um dia ele guardou as facas do almoço e do jantar, espetou a primeira faca na perna, mas achou um disparate morrer por causa de uma faca espetada na perna. Pensou noutra alternativa: espetar uma faca no coração, a partir daqui, ele achou que duas facas espetadas no corpo eram uma razão bastante convincente para alguém morrer.
O Grito gritou. Fim da história e o Grito morreu até hoje.
quinta-feira, outubro 15, 2009
Manifesto Subúrbia
No comboio encontro um cego de muletas que me pede uma esmola: “peço desculpa por estar a incomodá-lo, mas o senhor tem uma moeda que me dê para comprar o meu almoço?”
Eu digo-lhe que não tenho dinheiro, que a vida esta difícil para todos e que ele vá chatear outro…
Vou para o centro, as pessoas querem sempre ir para o centro. Porque é que as pessoas querem sempre ir para o centro? No centro sinto que não pertenço a lado nenhum.
No fim do dia, na estação terminal do centro, o frio gela-me os ossos e eu entro no comboio. O comboio chega ao subúrbio. Saio do comboio e oiço o comboio a partir como uma veia que leva o sangue a todas as casas destes pulmões podres. Subo a rua que dava para minha casa. Faz muito tempo que eu não pensava nisto tudo.
Foi no meio destas recordações, destas entranhas que o tempo parou. Volto a olhar para o céu e recordo o tempo em que eu tinha vontade, o tempo em que eu era espontâneo, o tempo em que tinha convicções, o tempo em que era virgem, o tempo em que eu era um mensageiro do belo em terra de feios.
sábado, novembro 22, 2008
fácil
Hoje descobri que com um telemóvel é muito mais fácil fugir.
quarta-feira, novembro 19, 2008
fim do mundo (pelo menos para ele).
Quando eles se cruzaram, ela sorrio para ele. Ele ficou apaixonado. Ele não sabia que o sorriso era venenoso. Ele bebeu o sorriso de uma só vez. Foi o fim... do mundo.
domingo, outubro 19, 2008
ilhas.
Obrigado à academia.
sábado, setembro 27, 2008
!?
quinta-feira, setembro 25, 2008
quarta-feira, setembro 03, 2008
dorme.
S.O.S suburbia. Alguém à escuta?
sábado, agosto 23, 2008
sexta-feira, agosto 22, 2008
quinta-feira, agosto 21, 2008
Ao império dos corpos queimados.
O corpo queria escolher ser sempre rei, mas o escravo também é rei.
A guerra dos reis que queriam escravizar os outros reis começou, e os corpos ainda não eram nascidos.
Queriam ser absolutos, porque não sabiam lidar com o escravo que existia dentro de cada um.
E assim nasceu Hitler... sózinho com o seu escravo, num campo de concentração a fumar cachimbos de corpos queimados.
domingo, julho 06, 2008
Folia - Tu és Isso

sábado, junho 21, 2008
por incrível que pareça...
Fez-se a luz da saudade.
domingo, abril 20, 2008
O Extravagante (7) - choque
Extravagante: Olhe, mude de mundo...
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Os Olhos do MUndo e a Fortuna

Texto: John Herbert Adaptação\Encenação: José Henrique Neto
Assistência de Encenação: Paulo Brito Execução Cenográfica: Carlos Ramos
Interpretação: João Vicente, José Henrique Neto, José Redondo, Luís Lobão, Tomás Alves
Produção: Edipoética
Reservas:
966864730
918991330
grupo373@gmail.com
quarta-feira, janeiro 02, 2008
ouvir...
quinta-feira, setembro 20, 2007
Valete Fratres!
Se calhar estamos no começo de uma transformação no mais íntimo de nós.
Se calhar estamos no começo de uma revolução.
terça-feira, agosto 28, 2007
Depois dos porcos que falam...
Durante meses, sempre que chegava a casa a altas horas da noite, deparava-me com o meu vizinho do 4º andar a cair de bêbedo pelas escadas e sempre a queixar-se da vida com um discurso que mostrava uma suspensão temporal na vida deste individuo.
Depois de me ter cruzado com este homem para aí umas vinte vezes, comecei a perguntar-me se depois de terem inventado um porquinho chamado Babe e que sabe falar, não teriam também inventado uma mágoa chamada Vanda e que sabe nadar.
Cuidado meus amigos: afoguem as vossas mágoas antes que elas aprendam a nadar!
segunda-feira, agosto 20, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
O velho é que sabia.
sejamos loucos do mais belo siso
transformando em jogo a nossa dor
e a dádiva das lágrimas em riso.
Agostinho da Silva
Folia!
Texto: Paulo BorgesEncenação: Rui Mário
Pelo Teatro TapaFuros
Quinta da Regaleira - Sintra
de 5 de Julho a 16 de Setembro
5ª a Sáb.: 22h Dom.: 20h
«A noite abre-se em luz. Nocturno cantado em voz de árvore, de atento mocho. Vozes muitas que anseiam paz. Vozes do mundo, no mundo... Folia nos ilumina, folia nos inflama! Flama de cor a romper solidão, a romper surdos gritos. Dos caminhos da Terra surgem homens e mulheres que sentiram uma voz que chama, em chama. Arde-lhes no peito. É o tempo? Os portões abrem-se, a mansão tem muitas portas, luz habita os salões e ri do serão... Esta a luz que vestirão. Homens e mulheres da Terra, convidados para a festa da Luz, convidados em mistério.» Rui Mário
Texto: Paulo Borges; Encenação/Direcção Artística: Rui Mário; Dramaturgia: Paulo Borges, Teatro TapaFuros; Direcção Musical/ Arranjos: Pedro Hilário; Direcção de Actores: Samuel Saraiva; Interpretação: Carla Dias, Filipe de Araújo, João Vicente, Paulo Cintrão, Mário Trigo, Rute Lizardo, Samuel Saraiva, Vera Fontes; Músicos: Alexandre Leitão, António Neves, Jorge Domingues, Miguel Costa; Cenografia/Adereços: Rui Zilhão; Coreografia: Mercedes Prieto; Vozes Off: Elisabete Figueira, Jorge Telles de Menezes, Inês Figueira, Natasha Quaresma, Paulo Borges, Ricardo Ventura, Rui Lopo; Desenho de Luz: José Miguel Antunes, Mário Trigo; Design / Web: Pedro Marques; Fotografia: Sérgio Santos; Figurinos: Elisabete Figueira, Pedro Marques; Costureiras: Ana Tobias, Doroteia Tobias; Luminotécnia: Fábio Ventura, Facas Valente, João Rafael, Laura Scheidecker; Apoio à Montagem: Emanuel Ventura, Gonçalo Africano; Direcção de Cena: Marco Martin, Rui Mário, Sónia Tobias; Frente de Sala: Ana Rita Neves, Catarina Trindade, Inês Amaro, Joana Martins, Maria Silva, Tânia Tobias; Produção Executiva: Sónia Tobias; Direcção de Produção: Marco Martin
quinta-feira, abril 05, 2007
Naquele lado da rua
Cada vez mais, os calções dos miúdos colavam às pernas por causa do calor e continuavam a jogar à bola.
Na esquina, um pássaro acabava de levantar vôo enquanto a comida passava, levantada do chão pelos braços gordos de uma mulher com pressa de chegar à hora do almoço.
Do mesmo lado da rua, o sol batia contra o vidro reflectindo espirais multicolores para o espaço.
Um louco suicidava-se do rés do chão com esperança da morte e de que ninguém abrisse a porta do quarto. Um louco suicidava-se na encenação da queda no meio do passeio. Eu assistia à queda e ao calor que lhe aparava a roupa. Ele revolvia os braços e as pernas numa agitação cada vez mais rápida até que bateu no chão. E morreu!
E só depois gritei e vi o sangue a espalhar-se pela rua. Alguém abrira a porta do seu quarto e fechara a janela e o sangue já chegava ao lado da minha rua. O louco estava morto. Causa da morte: a sua personagem.
terça-feira, março 20, 2007
Naquele caminho que me perdeu
Antes que descesse para a escada, pensei no salto grande que teria de dar se quisesse pousar de pé. Tive de pensar no balanço e deixar que o meu corpo rompesse as minhas roupas e saltasse. Lá foi ele, entre a vertigem e os prédios. Cá de cima, ouvi um baque. Não! Um Bach que saiu-me monstro das mãos. Por instantes, tive de repetir o meu pensamento para coordenar-me no meio dos gestos que fazia horrorizada. Afinal, o destino poderia não ter fim. Tive de calar-me para que pudesse ouvir que ainda pisava o telhado, mas o meu corpo lá em baixo! Mas o meu corpo aberto para que todos vissem como eu era, para que todos vissem a minha beleza liquidada no chão. Para que todos vissem o coração que me faltava e que estava pendurado num estendal a secar.
sexta-feira, março 16, 2007
em cena.
Ficha Técnica
Actores: Ana Gil, Joana Guerra, João Vicente, Madalena Palmeirim, Susana Gaspar, Nuno Matos, Soraia Granja, Laura Tomás, Reinaldo Almeida, Flávio Nunes, Miguel Silveira Encenação: Ávila Costa Tradução: Anabela Mendes Assistência de Encenação: Miguel Fonseca e Ricardo Silva Dramaturgia: Anabela Mendes, Ávila Costa, Rui Teigão, Ricardo Silva, Miguel Fonseca e gtl Produção: Rui Teigão e gtl Desenho de Luz: Ávila Costa Banda-Sonora: João Santos Design: João Vicente Operador de Luz: Pedro Marques Operador de Som: João Santos Figurinos e Slides: Eduardo Guerra e Luísa Seixas Técnicos de Luz: Pedro Sousa e Paulo Oliveira
Agradecimentos: Dr. Luís Fernandes, Dra. Valentina Matoso, Dra. Isabel Bruxo, Sasul, Aeflul, RUL, FCG, Profª. Anabela Mendes, Profª. Vera San Payo de Lemos, Profª. Maria João Brilhante, CET, Prof. Fernando Guerreiro, Luís Miguel Cintra, Teatro da Cornucópia, Amélia Barriga, Profª. Manuela Ribeiro Sanches, Isabel Aires, Sofia Meireles.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Fragmentus Suburbia (14): entranhas.
A cidade faz esquecer as origens, até ao momento em que nos esmaga na hora de apanhar o comboio de volta para casa. Foi isso que o rapaz sentiu, que já não pertencia a lado nenhum, mas quando o frio da noite gela os ossos na estação terminal da cidade, os olhos enchem-se de lágrimas porque ele recorda-se que nas entranhas há qualquer coisa que viveu, qualquer coisa que ele recordava como um palco onde as luzes dos projectores fulminavam as vidas das donas de casa que estão no comboio.
O comboio chega ao subúrbio, o rapaz sai da estação, pensou em alguma coisa como "apesar de tudo, estava mais quente dentro do comboio". Sobe a rua que dava para sua casa, ouve o comboio a partir com o seu som gasto e velho como uma veia que leva o sangue a todas as casas.
Faz muito tempo que ele não pensava nisto tudo, como um relâmpago lembrou-se dos poetas que conhecera e que lhe falavam de um salão de baile e de um teatro que ficava por baixo de uma igreja. Foi no meio destas entranhas, destes pulmões podres, que ele voltou a olhar para trás no cimo da rua, para ter a certeza de que ainda sabia onde espreitava a lua.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Os dias de amanhã
diamante pedra em cristal pistola a assobiar
Se fosse sempre só eu
e tantos em mim e tanta emoção em tudo
Se eu fosse só poucos passos
em labirinto desmanchado
seria encontrada facilmente
Se eu afogasse na corrida
não seria
não seria apenas como o esforço que ser eu requer
não seria a torrente na brisa
e penas de pássaro a disfarçar o crime
Espero que o mundo não me acabe na mão
Como corpo com torneiras
e ponteiro partido a apontar para a hora
vagueio fora de mim
sempre em direcção errada
como um peito na mão
Danço demasiado no deserto
Por isso, desapareço
e espaireço dentro do rio
onde tenho quatro braços para ser mais rápida
e ir com os barcos
e dar volta ao mundo
Deixas-me sempre sozinha na estação
Por isso, fico sempre a brincar com o cão
e, juntos, coçamos as nossas pulgas
Espero que o teu comboio parta
para não achares mal que vá beber com os marinheiros às riscas
e que parta um copo antes de comprar o bilhete
Colo-me sempre ao poste enquanto tu já descansas
Sempre morei longe e tenho de ir para longe, todos os dias
Moro num sítio feio com bela gente
que percebe o tempo
que, para além da beleza, percebe a fealdade
e percebe a margem das coisas
a separação união
Moro em mim onde quer que esteja
sem o cobertor e com moeda no bolso
Afinal, aprendi a vaguear sozinha
Afinal, suo muito das mãos para conseguir agarrar sempre o cabo
E, quando volto para casa, à noite,
posso chorar no comboio porque
sei que não me vão roubar...o coração.
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Flor em Inverno
e os pássaros morrem em pleno vôo
enquanto descaíam-se sobre si mesmos
e afligiam-se em vergonhas tão inocentes
Se a flor falasse em beleza
as suas pétalas não seriam mais como dedos de anjo
Se a flor vencesse a tempestade
deixaria de ser caule de lua
Se a flor não baloiçasse na brisa espontânea
não vestiria saias
Se a flor fosse grande
teria pé de criança sobre erva
Se eu florisse cada instante
e sempre pedisse o meu sol ao céu
e criasse espinho de pequena
não poderia ter lâmina
nem ser perdida
ter o meu canteiro
ser flor com pólen
para retirarem-no de mim
e espalhá-lo sobre meu solo
para sentir sempre doce
segunda-feira, dezembro 04, 2006
2ª interrogação de amor
E esfera armilar em fogo
agarrada às minhas mãos
Sou sangue em fervura
em ebulição esquecida
Posso apagar simplesmente?
Ser um ponto que morreu no passeio?
Já não sei o que foi de ti
Onde é que tu andas?
Na minha mente?
Estás longe, cada vez mais longe...
Já és um amargo na boca
Já perdi os dias e nem me interessa saber quantos foram
Pois, agora, regulo-me pelo meu tempo
Sei-o melhor
Tão cedo? Uma lembrança?
Afinal, parece simples.
É só apanhar os vestígios que, às vezes,vêm agarrados à roupa
É só diluir o pensamento cronometrado para o passado
para saber que ele não está aqui, agora
É só afastar a mão do corpo à procura dum poro
ainda em transe de prazer
É só esperar até deixar de esperar
É só deixar de ansiar nos órgãos, no dentro, no fora,
nos cabelos, nos braços, no corpo inteiro
É só deixar de imaginar casas de banho
É só deixar-me de vestir de leopardo para não poder atacar-te mais.
Afinal, parece simples.
Pobre coxa depenada
Sem pio
Ficaram as tuas plumas a curtir no ar
E eu, prostrei-me contra um tronco, bêbada, sem ti, cabrão.
domingo, dezembro 03, 2006
Urgência em ser burro.
quarta-feira, novembro 29, 2006
quarta-feira, novembro 22, 2006
........
domingo, novembro 19, 2006
Aquilo que podia muito bem ser.
Olhei para o papel grosso que estava na parede, e destas minhas mãos crescidas sairam meninos pretos de África com carrinhos de rolamentos e trotinetas nas mãos.
sexta-feira, novembro 10, 2006
Violoncelo
Não precisas falar de ti porque hoje vi-te a tocar. Transpiravas que nem a pele dourada de cavalo sobre o campo, desenfreado e selvagem. Murmuravas uma respiração tão silenciosa como a pausa da tua música. Ouvi-te, ouvi as tuas mãos, os teus dedos, os teus pulsos. Ouvi o grito a sair do teu estômago e a amarrar-se nas tuas cordas vocais até sufocar. O que ouvi foi lindo. Fixei-me na cadeira e voei até junto de ti. Irrompi nas tuas notas como véu ao vento, como liberdade total para estar onde quisesse. Viajámos juntas até onde a imaginação não criara ainda uma imagem.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Só porque não falava de amor há muito tempo.
" - De que é que trata?
- Do amor.
Perante a resposta do velho, o outro aproximou-se com renovado interesse.
- Não me lixes. Com fêmeas ricas, das que fervem?
O velho fechou o livro num repente fazendo tremer a chama do candeeiro.
- Não. Trata-se de outro amor. Do que dói."
Luis Sepúlveda in O velho que lia romances de amor
sábado, novembro 04, 2006
Texto de transbordação psicológica.
Todos os elementos nascem de saturação, de transbordação, de tudo aquilo que os olhos já não conseguem guardar. Deitei-me só mais uma vez naquele chão pintado, só para sentir o rasto de cheiro que as tábuas iam deixando. As vozes desencontram-se afinadas. O senhor do cabelo pequeno brinca com a menina dos olhos grandes. Mutação completa de anjos em diabos, e de grandes em médios e pequenos.
A coisa acende-se, ilumina-se, prontifica-se. Ninguém separa esta unidade.
domingo, outubro 22, 2006
para a contagem decrescente ou crescente.
As ambulâncias já vêm a caminho
com as sirenes a anunciarem um desastre
que me amarrará à cama
em silêncio devoto
e com o sentimento a furar os lençóis, a suar pelos braços,
pelo peito, pela barriga
Quando comer nem vou conseguir mastigar nem saborear
de tão ferida que está a minha língua, a minha garganta
arrebentada pelas explosões, o meu maxilar
deslocado pelo vento
em crise nas ruas vazias.
Quero que o vazio se penetre
nos teus cabelos e te arranque as raízes do cérebro
até os olhos serem apenas duas órbitas em flutuação permanente
Para que o vazio seja tanto que não haja espaço
para o sonho, para o pesadelo. Só o vazio
na sua contemplação oca onde não há esferas nem
quadrados com ângulos nem gemido
apenas um furo onde o
fim é sempre o início,
o iníco sem chão nem
escadas para subir ou descer
Apenas a morte
a morte parada a preencher todos os lugares
a morte para a próxima passagem
onde a dor é tanta que o coração bate mais para saltar do peito
Dá-me um beijo de boa noite
para poder adormecer
sexta-feira, outubro 20, 2006
O meu Guerra clandestino
Por outro lado, sinto que a Guerra é só minha, aquelas são as minhas estratégias e eu sou o comandante passado a ferro. Mas, afinal, nada me pertence. Só o meu coração, semeado, lavrado, colhido, comido nas trincheiras de Guerra.
Os pelotões avançam até ao fim da linha, mas o inimigo já partiu. Já se sente a saudade da paz, dos passos até à cafetaria para tomar qualquer coisa que se assemelhe com o doce.
Eu. Chamo-me Joana. E Guerra. E amor. Sou isto e mais coisas como as coisas que nâo têm nome. Nesta Guerra, sinto a dádiva da loucura a invadir-me o corpo, a queimar-me o anti corpo. Quem sou eu? Eu sei. O que sou eu? Não sei: mesa de cabeceira, bicho do mato, transe de passagem? Sou Guerra. Sou Guerra. Não consigo medir a densidade, mas sinto-me densa como badalo de sino a chocar no metal. Não consigo medi-la nos meus pulsos nem vê-la na minha barriga, mas sinto os pesos de nuvem.
Acordei e tinha um homem ao meu lado. Era um soldado a esvaír-se em sangue. O seu camuflado era agora um invólucro a chupar sangue. “De que te valeu essa luta?”, perguntei-lhe. “Eu ainda estou vivo. Ainda hei-de lutar mais”. “Não. Estás enganado. Tu já morreste há muito tempo. Dentro de mim”.
quarta-feira, outubro 18, 2006
?
Era tão bom que viesses em caixas de bombom para comer-te aos poucos: deixar que o chocolate derretesse lentamente na boca num prazer lento afundado na poltrona.
Era tão bom que fosses lápis para escrever-te nas paredes de minha casa, no meu corpo, sem vírgulas nem pontos final.
Era tão bom que fosses reticências para prolongarmos o que quisessemos, aquilo que não tivesse significado exacto e que não dissesse nada aos outros. Só nosso.
Era tão bom que fosses o botão da minha camisa para desapertar-te quando me apetecesse e dar-te a liberdade do ar a passar entre as linhas cosidas.
Era tão bom que fosses corda de violoncelo para exercitar-te, fazer música de ti, fazer amor musical contigo e acariciar-te num dó vibrado.
Era tão bom se fôssemos simples de amar.
domingo, outubro 15, 2006
quinta-feira, outubro 12, 2006
quarta-feira, outubro 11, 2006
A CURA
Já tenho baratas nos olhos. Às vezes, deixo de ver porque uma barata resolveu vir espreitar. Deixei de conduzir, mas, agora, posso beber mais. Pedi a um amigo para me espezinhar a cabeça, para matar essas filhas da puta insensíveis. Porquê a minha cabeça quando há aí tanto cabrão? O meu cabelo está diferente, claro que está. As baratas estão na minha cabeça e o cabelo cresce aí. Agora tenho cabelo preto como corvo ou como BARATA. Pintaste o cabelo? Não, já disse que não foda-se! Tenho baratas em mim. Elas violaram-me, eu sei que sim. Não, não foi um sonho, foi uma tortura, baratas gigantes, com mil patas cada uma, com olhos de sangue e antenas.
Apanhei um táxi porque chovia e já tinha as calças molhadas até aos joelhos. Apanhei um daqueles táxis da Avenida Principal que dá para todo o lado e todo o lado vai lá dar. Apanhei o táxi e cheirava a mofo, humidade, coisa estranha. O taxista, bigodeiro, porreiro, abafava com a mão qualquer coisa ao seu lado. Espreitei do banco de trás. Era uma cabeça. Cabeça feminina, lábios vermelhos, grandes brincos prateados e uma pastilha elástica na boca. Cheirava a mentol, era isso. De mofo a mentol. Perguntei-lhe que fazia ali aquela cabeça. Respondeu-me que barafustara com o preço que tinha a pagar e ele não foi de maneiras e zás cortou-lhe a cabeça. Eu disse-lhe que havia pessoas que não sabiam pagar por aquilo que usufruem. É que sabia que aquilo ia dar uma trabalheira ao homem para limpar, então, apaziguei-lhe a mente dizendo-lhe que ele fez o que tinha a fazer. Mesmo em crise os táxis são táxis. São pretos e verdes ou amarelos. Prefiro os pretos e verdes. Bem, ali estava a cabeça e ainda resmungava. Impressionante. Chata do caraças. Se fosse eu, já a tinha dado aos miúdos para eles jogarem à bola.
Queria livrar-me das baratas. Então, fui até ao Cais do Sodré. Pensei: “Aqui há muita gente com doenças, mais barata menos barata não lhes deve fazer diferença”. Já me tinham dito que era assim que se fazia. Espetei-me por um bar adentro. Pedi um shot. Outro. Outro. Outro. Outro Já nem sabia a quantas ia, com quem falava mas acho que falava com alguém e que arrebentei contra o balcão e vi sangue e dentes e cabelos. Arrebentei contra garrafas, peguei noutras, esbofeteei gajas que se metiam em cima de mim, esfolei as bochechas de uma boneca loira, andei à porrada vezes e vezes na mesma noite e já ninguém me apalpava, rasguei e dancei em cima de mesas partidas com bêbados a cuspiram e a vomitarem o alcoól do almoço, do lanche e do jantar! Lixei a minha cara e fiquei uma merda, merda durante duas semanas. Numa noite, não fui mulher, não fui homem, fui BARATA. Adeus amigas!
sexta-feira, setembro 29, 2006
Interrogando o Sr. Verme.
Então é este o paraíso dos tontos?
O baile de gala metafísico?
O grosso dicionário de páginas em branco?
A bolha de sabão de lavanda flutuando para o infinito
Desde o telhado do palácio dos confetti?
Só em si tenho fé, Sr. Verme.
Charles Simic.
terça-feira, setembro 26, 2006
Ão Ão
Não percebo é como é que a moda das coleiras passou porque vocês são todas umas gandas cadelas.
segunda-feira, setembro 11, 2006
Palco de espectros.
Foto de Gonçalo MoraisDebaixo de um céu escuro, no meio dos mistérios do nevoeiro, um palco grande ilumina-se. Um sorriso, um olhar, uma risada, a fúria de uma morte ou de uma loucura.
As personagens enchem o palco cheio do pó das estrelas. O arco espelha o rosto de dois irmãos, dois animais que se preparam para atacar em contra luz. O público dá a primeira risada quando o cómico dá a deixa, ou então chora quando o príncipe enlouquece ou então quando o coração sai destroçado.
Em cima de geometria andam as personagens, numa corte de espelhos que reflectem na floresta encantada e atrás das torres do castelo. Há qualquer coisa que não pode ser magia. Os dedos, o nariz e as orelhas caem no chão.
O primeiro projector acende. Qualquer coisa vindas das entranhas chama por nós, a ansiedade é enorme, a palavra fica gigante e os olhos, as mãos e os pés também.
A personagem entra, a personagem sai, a personagem agradece. A personagem morre. Tudo volta ao inicio.
Palco de espectros, palco vazio.
sábado, setembro 02, 2006
às vezes tem de ser...
- O início? Olha, agora é difícil, já estava a caminhar para o fim. Bem, nada de especial. Aliás, nada de especial é fraco...falava da memória dos tempos.
- Ah, esses. Epá! Estás nostálgico e já não tenho grande pachorra para isso. Só quando estou bêbado e mesmo assim desatino com certas pessoas que pensam que as suas memórias são superiores às dos outros. Chiça! Já experimentei uma boa pontaria, marota, para pontos fracos do corpo...mas não resultou. Sei lá: distrair com um riso, com uma blasfémia...apalpar e ser bruto, ao menos assim calam-se, sentem-se ofendidos e vão-se embora...
quarta-feira, agosto 30, 2006
Coisas da Mafalda I
Que é que te parece que se tem de fazer para que os outros percebam que se é um bom tipo?
Responde o Manuelinho:
Olha, Miguelinho, o que deves fazer é que os outros apenas julguem que és um bom tipo...
porque se chegam a perceber, estás tramado!
segunda-feira, agosto 28, 2006
Vamos!
Vamos! Levanta-te, não te armes em rebelde sem causa, deixa o raio da bebida de lado. Põe-te de pé!
Olha à tua volta, estão todos a olhar para ti e tu deitado, já em pânico, fazes figura de cavalo morto. Pega nos CD's que trazias na mochila, provavelmente estão partidos, mas pelo menos mete-os a tocar num caixote do lixo. Acerta em todos os buracos que encontrares nessa calçada, especialmente aqueles que têm água lá dentro.
Vamos! Ainda não terminamos esta conversa surda de animais.
sexta-feira, agosto 25, 2006
segunda-feira, agosto 14, 2006
Meu reino
Um riacho.
É preciso voltar a essas pedras para elas desaparecerem.
A verdade, é que os sítios só são especiais pelas memórias: lembrar que havia um riacho seco numa praia no meio das dunas, basta haver qualquer coisa boa nesse sítio para o riacho se encher de água doce.
Lembro-me que havia um riacho, não me lembro se tinha água ou não, mas lembro-me do riacho.
segunda-feira, agosto 07, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
De mal a pior...
Dou a felicidade a quem adivinhar essa razão.
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