sábado, fevereiro 11, 2006
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Fragmentus Suburbia (10): atrasos.
Um dia, Lídio apanha o comboio para ir até ao cinema que começava às horas indicadas num tal jornal suburbano das estações. Pelo caminho fazem-se obras para novas "infraestruturas que os caros utentes vão poder passar a desfrutar neste equipamento de transporte!" com os agradecimentos devidos e desculpas pelos incómodos.
Os avisos e as cartas de desculpa não satisfazem Lídio, para ele os horários dos cinemas também deviam de ser alterados. Quantas pessoas não apanharam aquele comboio para irem ver um filme que começava às tantas horas, no tal dia em que o tal comboio iria chegar a tempo?! Lídio ía com essa esperança de ver o horário da sessão alterado para meia hora depois.
O comboio chega à estação de Cinema-Triboleira com meia hora de atraso, Lídio sai calmamente do comboio em direcção aos cinemas Salgado. Nas bilheteiras informam-no de que o filme já tinha começado há meia hora, Lídio olha à sua volta e nem sequer um aviso a pedir desculpas pelo incómodo do filme ter começado antes dos "senhores utentes terem chegado!".
Gramaticas
O TIL a mim nunca me muda o NAO. Alias, nem sei qual poderia ser a razao!
O circunflexo, sinal abichanado e convexo, mostra-se simplesmente caprichoso.
Ao A nao me importa se se deixa acompanhar por um trachinho para ca ou para la.
E se mais houver que nao me lembre, e a prova de que o acento a mim nao me serve!
.
Sou uma pessoa simples, nao me considero esquisito.
Fico-me pela interrogacao, pela exclamacao ou simplesmente pelo final.
Para que aprofundar mais. Acho que tenho dito!
O que me interessa e mesmo a rima total!
..
.
Enfim... Sabes o que quer dizer todo o inconformismo que em mim vez?
Que o que me faz falta e um teclado portugues.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
hUm
...
Mas isso foi ontem. O problema do banho matinal e que nos lava as ideias .
Mas nao se enganem. A chave nao esta em nao tomar o banho matinal. Corre-se o risco de carregar o peso do mundo na imundice pessoal. Nao vale de nada tentar prender a ideia com o cabelo oleoso. E que talvez nao seja o banho matinal que nos leva as ideias. Pode ser outra coisa qualquer que ainda ninguem descobriu, e uma aposta forte na abstencao ao banho matinal como mezinha para a falta de ideias, sem qualquer comprovacao previa no minimo robusta, pode levar a simples e terrivel abstencao de contacto social, porque as pessoas, em geral nao gostam de porquinhos. E sem as pessoas nao somos nada, e sendo nada nao ha ideia, claro esta. Porque nao existo se nada sou. E o outro bem que dizia, penso logo existo, e...
...
Mas o que e que estou para aqui a dizer?
...
Ontem tinha mesmo tanta coisa bonita para dizer....
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Sintoma (9): autor e autoria
...desconhecer o valor do seu resgate.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
O Impertinente (7): desencontro
Quando elas apareceram, ele já lá não estava.
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Fragmentus Suburbia (9): prazo de validade
É preciso escapar antes que isto rebente.
Antes que alguém decida rebentar connosco.
No subúrbio, tudo tem um prazo de validade.
Tempos que se cruzam, sentimentos que coincidem.
A linha que vai dar à saída é a mesma que reencaminha para a entrada.
Por isso, é preciso saber esperar...
...enquanto é tempo.
Interrupção
- Não tenho. Hoje, sou um passageiro em greve. Já agora, saberia dizer-me qual é a linha que vai dar à saída?
- É a linha amarela.
- Obrigado.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Tudo por nossa conta.
terça-feira, janeiro 31, 2006
David Cronenberg na Cinemateca

Crimes of the Future: 5ª, 2 de Fevereiro, 22h
Shivers: 4ª, 1 de Fevereiro, 21h30; 4ª, 8 de Fevereiro, 19h30
Rabid: 6ª, 3 de Fevereiro, 19h; 4ª, 8 de Fevereiro, 22h
Naked Lunch: 2ª, 6 de Fevereiro, 21h30; 6ª, 10 de Fevereiro, 19h30
The Brood: 2ª, 13 de Fevereiro, 19h; 2ª, 20 de Fevereiro, 19h30
Scanners: 2ª, 13 de Fevereiro, 21h30; 3ª, 21 de Fevereiro, 19h30
Videodrome: 5ª, 16 de Fevereiro, 19h; 3ª, 21 de Fevereiro, 22h
The Dead Zone: 5ª, 16 de Fevereiro, 21h30; 4ª, 22 de Fevereiro, 19h30
The Fly: 6ª, 17 de Fevereiro, 19h; 4ª, 22 de Fevereiro, 22h
Dead Ringers: 6ª, 17 de Fevereiro, 21h30; 5ª, 23 de Fevereiro, 19h30
M. Butterfly: 5ª, 23 de Fevereiro, 22h; 4ª, 1 de Março, 19h
Fast Company: 4ª, 1 de Março, 21h30; 2ª, 6 de Março, 19h30
Crash: 5ª, 2 de Março, 19h; 2ª, 6 de Março, 22h
eXistenZ: 6ª, 3 de Março, 21h30; 4ª, 8 de Março, 22h
Spider: 3ª, 7 de Março, 21h30; 5ª, 9 de Março, 21h30
A History of Violence (antestreia nacional): 6ª, 10 de Março, 21h30
Sintoma (8): o trabalho poético de despoetização
Em seguida, nasceram flores.
Ela debruçou-se para colher o poema.
domingo, janeiro 29, 2006
O Extravagante.
Na verdade, só quero deixar bem claro e a extravagância do Extravagante era simplesmente ir ao supermercado comprar Cerelac (farinha lactea para os amigos) para se sentir menos universitário. Isto, está claro, dependendo do estado do tempo.
sábado, janeiro 28, 2006
Educação televisiva (3)
Aos miúdos confiamos algumas das nossas maiores ignorâncias.
Este miúdo, excepcionalmente, decidiu confiar-lhe a sua maior certeza:
"Tens de seleccionar. Tens de adoptar um critério ou um ponto de vista por onde possas espreitar. A televisão não é um buraquinho. O buraquinho és tu, ou será que ainda não percebeste? Deves começar por ver o essencial que há no acessório e, depois, quando te sentires bem preparado, podes tentar o acessório que existe no essencial. Talvez assim consigas obter a tua fórmula-mundo. Não sei. Quando tenho dúvidas desligo a TV: não gosto de colocar perguntas às quais ela nunca me poderá responder!"
Educação televisiva (2)
A avaliar pela importância crescente dos compromissos publicitários no espaço televisivo, é natural que o miúdo confunda a publicidade com a programação propriamente dita.
Educação televisiva (1)
É difícil ensinar um miúdo a distinguir o essencial do acessório, quando este presta mais atenção à publicidade do que à programação propriamente dita.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Músicas...
domingo, janeiro 22, 2006
O Impertinente (6): acto cívico
Veja-se, por exemplo, o caso de um rapaz profundamente imbuído do dever cívico, novamente lançado às feras em pleno recreio escolar.
De um momento para o outro vê-se cercado por figuras inesperadas que transportam consigo temíveis exigências performativas.
Após alguns instantes de mútua inquirição, compreendem que afinal vivem todos nas mesmas ruas, na mesma localidade, no mesmo microcosmos suburbano.
Gera-se uma familiaridade distanciada, impõe-se o menu do dia sem primar pela subtileza: "Então, votou bem?".
Entretanto, ela, do lado de lá, murmura-lhe um nome.
E sorri.
Mais tarde, em pleno acto cívico, a angústia eclode, imparável: "Como era mesmo o nome dela?".
Sofrendo pela ausência do substantivo próprio dela, mostrou-se incapaz de acertar no substantivo presidencial.
Quando se preparava para recolher os certificados de substância, a senhora da mesa pergunta-lhe: "Substantivo próprio, é o senhor?"
E foi então que ele se denunciou: "Não, sou o outro. Sou sempre o outro."
Conversas de café.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Ler no nevoeiro
Como a paisagem tem o nevoeiro, eu tenho o meu chapéu, a minha aba protectora de olhares furtivos e mastigadores de alma. No chapéu, enrolam-se os cabelos que desenham libélulas e anjos terriveis na minha cabeça e tecem camisolas de lã para aquecer os meus órgãos.
Uma vez, entrei nesse nevoeiro à procura de encantamentos e não de segredos. Nem me cheguei a perder, pois nunca soube onde estava. Lá, esbarrei contra uma máquina, o meu mecanismo desfiado em tiras de papel com poesia. Também, vi ninfas a amarem-se e a confundirem-se no branco evaporado da neblina.
Continuo sem saber a resposta à tua pergunta...segredos? Fiquei a saber um bocadinho mais, mas este será o meu segredo.
Poesia sem verso(s).
Porque a poesia já não se faz em verso, não vou perder mais tempo a tentar descrevê-la.
domingo, janeiro 15, 2006
O Impertinente (5): vida interior
Tinha cultura, ciência e também algum ócio.
Tinha talento, técnica e imensas capacidades.
Tinha loucuras, desvairos e um colchão de fazer inveja.
Tinha certezas, ocorrências e alguns esquecimentos.
Tinha saudades, comprimidos e bilhetes de avião.
Tinha seguro, conta bancária e défice orçamental.
Tinha convites, solidariedade e vida social.
Tinha gases, flores de estufa e natação ao fim-de-semana.
Tinha disciplina, hábitos e a novela das nove.
Tinha psicanalista, aulas de yoga e discussões com o vizinho.
Tinha piano, melancolia e umas mãos muito macias.
Tinha sonhos, utopias e uma certa inquietação.
(...)
Só não tinha vida interior.
Sintoma (7): verdade e discurso da verdade
O Mistério da Camioneta Fantasma.

Um espetáculo a não perder, mesmo!
Até dia 13 de Fevereiro, Sextas e Sábados às 21h no Teatro "A Barraca".
Encenação de Hélder Costa.
Entrada custa 6,25€ para menores de 25 anos.
"Seja teatreiro, seja um tipo porreiro!".
quinta-feira, janeiro 12, 2006
O Mundo é um Café.
É preciso parar para matar as saudades e olhar nos olhos de toda a gente, reecontrar toda a gente, fazer do mundo um café, não faz mal que seja tudo por um minuto, não fazia mal que todos os dias acontecessem num só, assim nada ficava por dizer ou por ouvir, começar amores e acabar amores num só dia, ver o nascer e o por do Sol, dar um pézinho de dança, fazer um sorriso ou então ter o mais dramático desgosto de amor. Não é pedir muito, afinal era só um dia, era só tirar um dia para tudo isto, depois podia tudo voltar ao normal e ficar tudo por dizer. Mas enquanto esse dia não vem, tudo fica por dizer entre esse dia e todos os outros, neste pequeno café.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
domingo, janeiro 08, 2006
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Poetas e Amantes (3)
"Gosto de acreditar que os mais belos poemas de Amor se escrevem na sua total ausência.
E que os actos mais apaixonados são, evidentemente, desprovidos de qualquer romantismo poético."
Poetas e Amantes (2)
"Eu mesma me certifico que nenhum deles se queira evadir da sua sua própria condição."
Poetas e Amantes
Aos amantes, os mais prolongados silêncios.
"Um poeta nunca é um bom amante.
De um amante nunca espero poesia."
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Memórias poéticas (6)
Dizia ela: - Nunca mais tirarei os olhos de ti. Vou olhar para ti ininterruptamente.
E, depois de uma pausa: - Tenho medo quando o meu olho pisca. Medo de que, durante esse segundo em que o meu olhar se apaga, se introduza no teu lugar uma serpente, uma ratazana, outro homem.
Ele tentava erguer-se um pouco para lhe tocar com os lábios.
Ela abanava a cabeça: - Não, só quero olhar para ti.
E depois: - Vou deixar o candeeiro aceso toda a noite. Todas as noites."
Milan Kundera in A Identidade
Fragmentus Suburbia (8): direcções
Pequenas ruas, pequenos dormitórios com nome de lar, comboios a chegar e a partir e a linha sempre a crescer em direcções opostas.
No meio disto tudo: pessoas. Pessoas que caminham por entre o betão armado em caminhos de ferro, enquanto o revisor Abílio entra na última carruagem e pede o bilhete ao cego que pede uma pequena esmola, não tinha reparado na placa que dizia: "BEGING IS NOT ALLOWED!"
Pouco a pouco tudo se vai enterrando, lentamente, nos esgotos deste ventre que nos gerou...
quarta-feira, janeiro 04, 2006
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Oh Darling.
Ah darling, a mim não me consegues fingir, tira a máscara de estilo que te tapa o rosto e vem para uma dessas ruas a subir (ou a descer), uma daquelas ruas com a lua a iluminar a passagem onde sempre sonhei fazer a declaração de amor mais simples e desprovida de estilo. Mas vem rápido, sabes bem a falta de paciência que eu tenho para estes assuntos oficiais em que tudo tem de ficar perfeito como naqueles filmes antigos que tu vês, onde tudo fica dito. Oh darling, faz-me esse favor e poderemos viver relativamente felizes para sempre.
sábado, dezembro 31, 2005
Das nossas palavras
Ontem tentaram convencer-me que já não eram minhas.
Chegará o tempo em que terei de renunciar às minhas palavras.
Entretanto, espero ansiosamente pelas tuas palavras.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Das sínteses originais (4): aristocrata
"Tu me fais - E atreves-te a dizeres-te criado de mesa, tu, meu filho da mãe? Tu, criado de mesa! Não tens categoria nem para varrer o chão da casa de putas da tua mãe. Maquereau!"
Por fim, quando as palavras lhe faltaram, virou-se para a porta; e, enquanto a abria, soltou ainda um último insulto como o Cavaleiro do Oeste no Tom Jones.
A seguir, entrou na sala de jantar e singrou através dela com a travessa na mão, com uma elegância de cisne. Dez segundos mais tarde, inclinava-se cheio de reverência diante de um cliente. E não podíamos deixar de pensar ao vê-lo inclinar-se e sorrir, com o seu sorriso de criado de mesa experimentado, que o cliente deveria, sem dúvida, sentir-se envergonhado ao ser servido por tão requintado aristocrata.
Down and Out in Paris and London (1951) de George Orwell
citado por Erving Goffman in A Apresentação do Eu na Vida de Todos os Dias
Das sínteses originais (3): intimidade
Living in Towns (1953) de Leo Kuper e outros
citado por Erving Goffman in A Apresentação do Eu na Vida de Todos os Dias
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Considerações de um homem sobre um sítio.
Foto by NéniEstimados ouvintes!
Sinto uma necessidade de me contemplar perante vós, pois já não tenho à vontade com a minha intimidade deformada por tantas vírgulas. Como tal, vou ser imprudente para não ser delicado e censurarei qualquer devaneio poético, rimado ou até, ligeiramente, pintor que a minha mente possa produzir.
Pressinto que qualquer coisa quer explodir dentro de mim. Talvez o coração ou um pulmão. Sim! Terei de cuspir os meus pulmões para não sufocar nos meus pensamentos. Deixá-los-ei sobre a mesa e regá-los-ei para não murcharem. Dar-lhes-ei uma vida independente e uma planta vermelha para enfeitar o seu corpo líquido. Porém, não pensais que sou um militante de pieguices compradas ou algum hipócrita insensível. Digo-vos que até sou sensível, por vezes, ridiculamente sensível. Também fui canalha e fraco ao ponto de chorar sobre os peitos de muitas mulheres. Vede como sou fraco! Por favor, aqui ao lado vai decorrer uma peça de teatro. Ide vê-la! Caríssimos espectadores, irá haver ficção, romance, personagens ideais. Ficção! Enquanto que, aqui, só posso dar-vos a minha bruta realidade...como me cansa a realidade.
De todas as viagens que fiz tantos dias, todos os dias, sempre ficou um ligeiro drama a abafar-me. Como daquela vez em que afoguei os meus canhões nas ruas onde sempre vivi. Decidi procurar um pouco de mim naqueles locais, no seu esplendor efémero e tranquilo de fim de tarde. Acho que me angustiei ainda mais; apaguei todos os meus murais projectados nos prédios e deixei-me a desesperar nalgumas escadas, esquecido de mim no chão. Aqui, estão sempre a ocorrer emergências. Será que vivemos em guerra com o sítio ou somos exército verde em marcha pelo bem?
Já não suporto a negação, aguda e afiada, deste sítio. A negação em tudo, um não mais que não, um não que enche-me a cabeça e explode em cem imagens distorcidas e inexprimíveis, levadas na euforia da desilusão. Aqui, ao inspirar, sinto o mundo a morrer na minha garganta muda perfazendo uma grande tragédia silenciosa e ficando tudo embargado nestas minhas palavras.
Até à próxima, atenciosa plateia.
Joana Guerra
terça-feira, dezembro 27, 2005
Da Suburbia à Farinha Amparo.
Agora, dentro do comboio, um homem de moletas pede-me desculpa por me estar a incomodar, pedindo ao mesmo tempo uma moedinha para poder comer qualquer coisa. Chego ao meu destino para um almoço num centro comercial, num daqueles restaurantes de fast food com uma bela companhia e encontros inesperados. Saímos dalí para um sítio onde se possa beber um chá ou um café quente, alí discutimos a revolta dos pastéis de nata e as piadas recorrentes da Farinha Amparo (pobre farinha que com tão pouca dignidade é referenciada nos nossos dias), damos o nosso show, e a Farinha Amparo sempre a bombar na conversa. Bem dita Farinha Amparo que tantas conversas desbloqueaste, tantas cartas de condução e outros brindes tu nos ofereceste. Amassado seja o vosso nome, seja feita a vossa vontade assim no fogão como no forno a lenha. Atchim.
O Impertinente (4): abundância
Hoje, faltando-lhe sentimentos, abundam as palavras.
domingo, dezembro 25, 2005
Das sínteses originais (2): estigma
I am sixteen years old now and I dont know what to do and would appreciate it if you could tell me what to do. When I was a little girl it was not so bad because I got used to the kids on the block makeing fun of me, but now I would like to have boy friends like the other girls and go out on Saturday nites, but no boy will take me because I was born without a nose - although I am a good dancer and have a nice shape and my father buys me pretty clothes.
I sit and look at myself all day and cry. I have a big hole in the middle of my face that scares people even myself so I cant blame the boys for not wanting to take me out. My mother loves me, but she crys terrible when she looks at me.
What did I do to deserve such a terrible bad fate? Even if I did some bad things I didn't do any before I was a year old and I was born this way. I asked Papa and he says he doesn't know, but that maybe I did something in the other world before I was born or that maybe I was being punished for his sins. I dont believe that because he is a very nice man. Ought I commit suicide?
Sincerely yours,
Desperate"
Miss Lonelyhearts (1962) de Nathanael West
citação encontrada em Stigma: Notes on the Management of Spoiled Identity de Erving Goffman
terça-feira, dezembro 20, 2005
Para quem gosta de Jazz e Poesia.
domingo, dezembro 18, 2005
Ópio.
O Homem do Chapéu de Côco pega então no pó que lhe tinham vendido no beco antes de chegar ao café e expira-o da forma que lhe tinham aconselhado. Os seus olhos começaram a arder e antes que eles fechassem ele teve a visão mais romântica de toda a sua vida, passou uma vida inteira para ter aquela visão e foi mesmo nesse momento entre o ardor e o fechar dos olhos que ele se conseguiu declarar, mesmo antes de ser nada. Agora, sem sequer ver a luz ao fundo do túnel, ele não se sentia, não havia nada para recordar, nem aquele café que foi a sua última morada. Afinal, estava mais que visto que o Homem do Chapéu de Côco ia passar a noite inteira naquele café imundo até que alguém, distraído, lhe pedisse bruscamente para se levantar.
sexta-feira, dezembro 16, 2005
domingo, dezembro 11, 2005
domingo, dezembro 04, 2005
O mundo por umas mãos.
domingo, novembro 27, 2005
sexta-feira, novembro 25, 2005
Memórias poéticas (5)
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
quarta-feira, novembro 23, 2005
Das despedidas
sexta-feira, novembro 18, 2005
quarta-feira, novembro 16, 2005
Personagens inventadas.
Mr. Alzheimer trabalha na loja de brinquedos da cidade, é ele que faz os cavalos de madeira para os miudos brincarem. Ele lembra-se de cada expressão, de cada imagem que todos os dias o invadem. Ele fez o palhaço e trapezista em madeira e uma senhora com um ar mais ou menos francês que podia muito bem ser Madame Gabrielle.
No fim do dia, todos estão a descansar para iniciar a noite e é nesse momento que Mr. Alzheimer começa a divagar pelo mundo dos seus brinquedos e das personagens inventadas.
domingo, novembro 13, 2005
Fragmentus Suburbia (7): o bilhete
A morte em carrinhas funerárias.
A primeira é levada.
A segunda, carregada. «E ele ainda pergunta se tenho bilhete.»
Fragmentus Suburbia (6): oportunidade
segunda-feira, novembro 07, 2005
Lisbon revisited.

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) –
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhe a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu – o mesmo da minha infância –
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Álvaro de Campos
O Impertinente (3): o «caso» Nuno Ribeiro
sábado, novembro 05, 2005
Das sínteses originais: a morte do «artista»
sexta-feira, novembro 04, 2005
Fechado para obras: tempo e percepção
Amanhã será como se pudesse haver (?)
Cá te espero.
terça-feira, novembro 01, 2005
Nostálgicos sem cura.
domingo, outubro 30, 2005
Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos.
Da série "Conhece-te a ti mesmo" (inspirado numa ideia original de João Pedro George)
E você?
Já se (a)creditou?
Sociólogos
Dos debates intermináveis (2): expressão e acção
segunda-feira, outubro 24, 2005
O Impertinente (2)
domingo, outubro 23, 2005
sexta-feira, outubro 21, 2005
Democracia das Emoções
A. R. or whatever you are calling
yourself these days"
Jonathan H. Turner in The Structure of Sociological Theory
segunda-feira, outubro 17, 2005
Fotografias à chuva.
domingo, outubro 16, 2005
Sintoma (3): o lugar da espera
sexta-feira, outubro 14, 2005
Auto-retrato (3)
Fragmentus Suburbia (5): sustentáculo
terça-feira, outubro 11, 2005
segunda-feira, outubro 10, 2005
domingo, outubro 09, 2005
sábado, outubro 08, 2005
Fragmentus Suburbia (4): adiamento
Talvez tivesse interiorizado, com excessivo voluntarismo, os rigores da espera.
Por isso, encontrava-o sempre à espera do próximo.
À espera daquele que não virá.
quarta-feira, outubro 05, 2005
Na direcção certa

terça-feira, outubro 04, 2005
Da Categoria: “amanhã é feriado!”
Querer saber o estado do tempo, do trânsito, e da economia.
Não ter como saber.
Querer esquecer tudo o que passou, com a maior eficácia e celeridade possíveis.
Querer esquecer o aquecimento global, a sexualidade metalizada, e a arbitrariedade dos mercados.
Não ter como esquecer.
Querer adivinhar tudo o que está por vir, com o menor compromisso e responsabilidade possíveis.
Querer adivinhar o futuro da natureza, o porvir da mobilidade, e as possibilidades da competitividade nacional.
Não ter como adivinhar.
Sabendo que as conservas têm data de validade, não esquecer de verificar as mesmas, sob pena de ter que adivinhar as suas prováveis implicações intestinais.
Da Categoria: “máximas pseudo-filosóficas”
sábado, outubro 01, 2005
Auto-retrato (2)
De vir a ser um grande poeta
E que as pessoas
Me pusessem
Muitos louros na cabeça
Mas aí está
Não tenho
Gosto suficiente pelos livros
E penso demais em viver
E penso demais nas pessoas
Para estar sempre contente
De só escrever vento
Boris Vian
terça-feira, setembro 27, 2005
segunda-feira, setembro 26, 2005
Sem saber porquê!
domingo, setembro 25, 2005
Sintoma (2): a Indústria Identitária
«É para oferecer?»
«Não. É para mim.»
sábado, setembro 24, 2005
terça-feira, setembro 20, 2005
As Ruínas de Babel
-Hoje atrasei-me, os melhores postes já devem estar ocupados.
Tantas conversas perdidas:"Os dias tão devagar, os anos tão depressa\ Linchtenstein, disse? Não estou a ver quem possa ser\ Sabe quantos fusos horários existem na União Soviética?\ Sr. Zetetis? Tem notícias da expedição ao Polo Sul?\ Acredito na poesia dos hotéis abandonados.\ Estou a ouvi-la muito mal.\ E se o pintasse?".
Dia e noite, os fios conduzem um fluxo de palavras:
-Se ouvissemos estes diálogos na íntegra ficaríamos certamente desiludidos com a sua banalidade e irrelevância.
O zumbido de mil milhares de vozes, o cheiro intenso da madeira tratada.
-Só conseguimos captar fragmentos e estes por serem enigmáticos ganham, aos nossos ouvidos, a nobreza e a imponência de ruínas de uma cidade perdida."
José Carlos Fernandes
sábado, setembro 17, 2005
O Impertinente
Primeiro tentou divulgar tamanha descoberta: podia ser que os outros reparassem no brilhantismo da coisa.
No entanto, viria a perceber que não existem bons intérpretes: nem para a mediocridade nem para o cinismo.
Depois veio o desencanto: se não existem bons intérpretes talvez não existam boas ideias.
Começou a dizer uns disparates pós-modernos sobre o fim da história e a fragmentação do self.
O resto já se adivinha: não existindo boas ideias talvez não existissem boas cabeças.
Daí à barbearia foi num instante: embora o barbeiro se tenha recusado a cortar-lhe a cabeça, ele fê-lo prometer que não lhe passaria um atestado de mediocridade.
quinta-feira, setembro 15, 2005
A vida e o ecrã: post scriptum
Não vejo interesse em comentar as idiossincrasias da narrativa ou a qualidade do enredo.
Prefiro antes realçar algo que é profundamente característico desta telenovela: a construção da tensão.
Os textos anteriormente publicados (da série "O TeleVisionário") referem-se à tentativa de captar parte dessa tensão que é, simultaneamente, constante e constitutiva da própria novela.
Trata-se, portanto, de um exercício livre com tudo o que daí advém.
Num segundo momento, procedeu-se à montagem de pequenos textos a partir dessas mesmas frases e expressões.
Procurei omitir qualquer referência a personagens: ela e ele são personagens-tipo no desenvolvimento da tensão.
Se cumpri o objectivo de retraduzir a tensão em moldes mais abstractos (porque necessariamente abstraídos do contexto narrativo em questão), só vós o podereis afirmar.
Este exercício parte de um pressuposto relativamente discutível: a tensão é inteligível mesmo fora do seu contexto de origem; possui significados que, embora nascendo desse contexto, ganham autonomia e inteligibilidade noutros campos de entendimento.
Em que medida o desenvolvimento da tensão é correlativo da dicotomia vida/ecrã?
Como é que a dicotomia vida/ecrã é conservada e ao mesmo tempo transgredida, por via da tensão?
quarta-feira, setembro 14, 2005
O TeleVisionário (3)
Ele qualquer dia vai encostar-te à parede
Devias ter-me perguntado
Eu é que não quero e ponto final
Disse que já tinha coisas combinadas
A vida não podem ser só brinquedos
Para mim é suficiente que ele queira
Não insistas
Onde é que tu vais?
Não me podes dizer assim em cima da hora
O meu problema é exactamente aquele que acabei de te dizer
Quanto mais chatices evitares melhor para ti
Vou reagir da forma como entendo que devo reagir
Nem parece uma Mulher: não sabe dar a volta a um Homem.
O TeleVisionário (2)
Nos tempos que correm todo o cuidado é pouco
Se fosse a ti levava armadura
Tu acalmas as coisas em casa e eu trato do resto
Ele vai abusar de ti até dizer chega
Não vou ficar parada a ver o barco afundar
Eu também fui apanhada de surpresa
Vais ceder à chantagem dele?
Esta não é a melhor maneira de fazer as coisas
No meu tempo as pessoas estavam sempre reunidas à noite
Se formos a pensar assim o mundo é um manicómio
E ninguém nos disse nada
Eu sempre disse que faltava pulso firme áquele puto.
terça-feira, setembro 13, 2005
O TeleVisionário: a vida e o ecrã
Agora estou a pensar no meu futuro
Não tarda nada estarei num lugar melhor
Fui interrompida por motivos de força maior
Terei de estar atenta
Terei de ter muito cuidado
Não ficarei tranquila sem saber o que se está a passar aqui
Até onde é que isto nos vai levar?
As coisas agora estão mais calmas
Ele tem de aprender a meter-se no lugar dele
Porque este é o meu lugar
Porque não irei embora tão cedo
Há oportunidades que só aparecem uma vez na vida.
Sem qualquer registo
quinta-feira, setembro 08, 2005
Sintoma
quarta-feira, setembro 07, 2005
Fragmentus Suburbia (3): ponto sem retorno
Sabiam-lhe tão bem as esperas.
«Demora-te!», disse-lhe um dia, em sussurro.
(...)
Todos os comboios vão dar a Roma. Até o dela.
terça-feira, setembro 06, 2005
A rua pouco escondida
Fragmentus Suburbia (2): efeito boomerang
segunda-feira, setembro 05, 2005
Fragmentus Suburbia (improviso)
domingo, setembro 04, 2005
Memórias poéticas (2)
sexta-feira, setembro 02, 2005
Laranja Cor de Sangue

"Está tão escuro lá fora que o fim do mundo pode estar próximo.
Convenço-me que vai chover.
Os pássaros no jardim estão silenciosos.
Nada é o que parece.
Nem nós mesmos.
Na nossa rua há uma árvore tão grande
Que podemos esconder-nos todos nas suas folhas.
Nem precisaremos de roupas.
Sinto-me velho como uma barata, disseste.
Imagino-me passageiro de um navio-fantasma.
Agora nem um suspiro lá fora.
Se alguém abandonou uma criança no nosso patamar,
Deve estar a dormir.
Tudo está a vacilar na borda de tudo
Com um sorriso polido.
É porque há coisas neste mundo
Sem qualquer solução, disseste.
Nesse instante ouvi a laranja cor de sangue
Rebolar pela mesa e com um baque
Cair no chão rachada ao meio."
Charles Simic
Dos relativismos culturais: beijar «ardorosamente» (2ª Parte)
Luís Sepúlveda in O Velho que Lia Romances de Amor
Dos relativismos culturais: beijar «ardorosamente» (1ª Parte)
"O romance começava bem.
«Paul beijo-a ardorosamente enquanto o gondoleiro, cúmplice das aventuras do amigo, fingia olhar noutra direcção e a gôndola, equipada com macios coxins, deslizava tranquilamente pelos canais venezianos».
Leu a passagem várias vezes em voz alta.
Que raios seriam as gôndolas?
Deslizavam por canais. Devia tratar-se de botes ou canoas, e, quanto àquele Paul, era óbvio que não se tratava de um tipo decente, já que beijava «ardorosamente» a rapariga na presença de um amigo, e ainda para mais cúmplice.
Gostou do começo.
Pareceu-lhe acertado que o autor definisse os maus com clareza desde o princípio. Dessa maneira evitavam-se complicações e simpatias imerecidas.
E quanto a beijar, como é que ele dizia? «Ardorosamente», como diabo seria isso?
Recordou-se de beijar muito poucas vezes Dolores Encarnación del Santíssimo Estupiñán Otavalo. Na melhor das hipóteses, terá havido uma dessas poucas ocasiões em que o fez assim, ardorosamente, como o Paul do romance, mas sem o saber. Em todo o caso, foram muitos poucos beijos, porque a mulher, ou respondia com atques de riso, ou fazia notar que podia ser pecado.
Beijar ardorosamente. Beijar. Só agora descobria que o fizera muito poucas vezes e apenas com a mulher, porque entre os xuar o beijo era um costume desconhecido.
Entre homens e mulheres existiam as carícias por todo o corpo, e não lhes importava se havia outras pessoas presentes. Nem no momento do amor se beijavam. As mulheres preferiam sentar-se em cima do homem argumentando que nessa posição sentiam mais o amor, e portanto os anents que acompanhavam o acto saíam muito mais sentidos."
[continua]


















