quarta-feira, maio 19, 2010

esta é do João César Monteiro

"Cheira-me a carne humana, é um cheiro acre, não sei se gosto."

domingo, maio 16, 2010

dasse.

Ontem amolguei um carro e nem tive coragem para fugir.
Ando a perder qualidades.
(suspiro)

sábado, maio 15, 2010

uff

Odeio ter a batata quente de ter de desbloquear uma conversa.

quarta-feira, maio 12, 2010

rent a life.

Quero esconder-me num buraco, mas a vontade de o cavar é pouca.
Alguém o pode cavar por mim? Sim?
Alguém quer viver a minha vida?
O aluguer não é muito caro.
Agora a sério.

sábado, maio 08, 2010

Mein Liebster Fiend

Vi um documentário sobre um homem de olhos grandes: Klaus. O homem era amigo do realizador. Quase irmãos de amor e de ódio. Cada frase do realizador conseguia definir o homem que Klaus era. A definição era dada pelo seu próprio contrário, como se o mal fosse a escrita que definia o bem. Havia uma forma de falar tão despojada neste realizador, um descuido e um rancor que era brutalmente comovedor. Se digo despojada digo directamente subtil, tal como as coisas subtis devem ser: secas e ressoantes. As coisas que Werner dizia de Klaus eram terriveis. Parecia que Klaus era um monstro e era isso que nos fazia acreditar nele como ser... humano.
No final, podemos escolher a melhor parte, a parte da borboleta que sempre voou nas entrelinhas do discurso desajeitado de dois irmãos. É desta maneira que te vou recordando. Esta borboleta aparece também entre as gotas da chuva, não se molha, e nós demoramos tempo a encontrá-la. A borboleta fica suspensa para sempre e nós achamos que isso é pouco.

sábado, maio 01, 2010

Quem?

Então, não é assim que se faz.
Não tenho idade para saber como se faz.
Mas tens idade para fazer pouco de mim.
És um romântico.
Um quê?
Um romântico...
Tu não falas assim comigo.
Assim como?
Assado.
E cozido.
Porque é que falas por metáforas?
Porque é que cantas aquilo que não podes?
Diz-me lá para eu ir dar uma volta. A ver se eu vou.
E se não me contasses essas histórias todas. Sobre a escola. E o teu eu.
Eu... quem?
Aquele que não fala. Sabes?
Hm...
Vai pedir ajuda a outro. Sim? Alguém com paciência... de santo. António.
As tuas.
As minhas?
Coisas.
E o silêncio? Onde é que...
Onde?
Onde fica?
Ali ao ao fundo.
Não sou daqueles.
Que vão?
Ah sim, sou dos que vou indo.
Vou até ao fim do cu do Judas.
Como é que sabes onde fica o cu do Judas?
Jesus disse-me.
Quem?
Jesus, o que morreu na cruz. Alta.
Coitado. O que é que ele fez?
Judiarias.
Para saber onde é o cu do Judas, não dever ter feito boa coisa.
És um herege.
Um quê?
Um herege.
Ah, um herege. Qual é o problema?
É que... eu não sei quem foi Jesus.
Sei melhor quem foi o meu pai.
Acho que acredito mais no meu pai do que em Jesus.
Quem é o teu pai?
É o...
Ah!
Calma. Não fales assim do meu pai.
Sei lá quem foi o teu pai.
O meu pai era um travesti.
Um quê?
Um herege.

quarta-feira, abril 21, 2010

Descobertas recentes (2)

As descobertas recentes hão-de se tornar descobertas antigas.

Depois desta, este blog suporta tudo.

Descobertas recentes (1)

Tenho um problema de continuidade desde que nasci.

quinta-feira, abril 15, 2010

descobertas antigas

Felizmente descobri, há já algum tempo, que não sou nada de especial.

segunda-feira, abril 12, 2010

A terrivel tragédia do Semicontente

O Semicontente precisava de um upgrade. Para o upgrade ser eficaz, o Semicontente precisava de transitar.
Então foi viajar.
O Semicontente gosta de lugares de transição. Nunca sabe o que vai acontecer.
Segurança no esquecimento.
É seguro que o semicontente se apaixone, porque tudo fica ali, onde os que sabem não sabem que o Semicontente sabe que é imortal.
O Semicontente fecha-se na bolha da transição, fecha-se na semi-partida e na semi-chegada.
O Semicontente esqueceu-se que a bolha do esquecimento rebenta.
O Semicontente apaixonou-se pela transição rompida pelas lágrimas.
O Semicontente está pronto para o download.
O Semicontente lembrou-se.

sábado, abril 10, 2010

Gosto de usar os meus pensamentos como roupa interior.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

O que me chateia nas mortes é perceber que vou ter menos uma pessoa que viverá mais do que eu. Para me reconfortarem, as pessoas dizem-me que ficam as boas memórias. Agora eu pergunto: o que é que vou fazer com essas memórias?

As memórias não atenuam o sofrimento caseiro, aquele que entala as entranhas e que nos dá um nó na respiração.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Sem causa.

O Jorge ia a passar e viu uma mota do outro lado do passeio. A primeira ideia que tem é a de roubar a mota, é a primeira e a única ideia. Ele rouba a mota e vai dar uma volta pela Amadora, mas a Amadora está diferente de fora continua o mesmo amontoado de prédios, por dentro parece uma vila rústica do interior, com pracetas e coretos. Ele anda pela vilazinha cheio de medo que alguém o apanhe com a mota roubada. Anoitece e ele ainda está às voltas com a mota até que chega a um beco onde se encontram carros estacionados, estaciona aí a mota.
No outro dia de manhã as ruas estão agitadas, de um lado manifestações, do outro polícia de choque pronta para avançar para cima da multidão. Jorge passa pelo meio, não está em nenhum dos lados. Olha fixamente um polícia que também olha nos olhos, Jorge tem a certeza de que aquele polícia sabe que foi ele que roubou a mota no dia anterior, mas o polícia desvia o olhar e comenta com outro: “hoje estamos a ser muito ameaçados.”. Jorge fica mais aliviado e continua andar, a Amadora está outra vez a parecer-se com uma vila rústica e vê muitas caras conhecidas que o ignoram. Ele tem dois guarda-chuvas e alguém o puxa pelo que tem na mão direita. A pessoa que o puxou é uma professora da sua escola com quem nunca tinha privado. Falam-se como se conhecessem desde sempre. Falam da revolução da qual Jorge não sabia nada ainda à um minuto, mas naquele momento consegue discorrer um discurso sobre a revolução. A professora ri-se e diz-lhe que ele é um rebelde sem causa. Jorge fica perplexo com ele mesmo a professora olha-o com um ar constrangedor. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Ela diz-lhe que para a próxima não é preciso roubar a mota.

domingo, janeiro 24, 2010

cinzento.

Às duas da tarde de domingo levantei-me. Tomei banho numa água amarela porque tinha faltado a água durante a noite e o gás não funcionava: água fria. Vesti-me, pus os cremes e sai de casa para ir almoçar ao café que ficava ainda um bocado longe de casa.

A caminho do café passei pela estação que estava deserta, não se via ninguém. A atmosfera estava muito cinzenta. O cinzento já é uma cor deslavada, mas este cinzento era mais deslavado do que os outros cinzentos. A bilheteira tinha as persianas corridas. Havia uma poça no chão que reflectia o céu cinzento, mas houve qualquer coisa vermelha que passou repentinamente pelo reflexo e eu nem vi o que era. Continuei o meu percurso agora subia a rua principal que segue até a rotunda. Passei por um jardim com dois bancos vazios e uma menina de saia e colants, tinha uma casaco azul e estava a rir-se para mim. Deu-me vontade de chorar, mas consegui conter as lágrimas. Subi mais um bocado a rua, cheguei ao café, peguei num tabuleiro. A rapariga que me atendeu estava vestida da mesma forma que a menina do jardim e o sorriso tinha envelhecido.

sábado, dezembro 05, 2009

O Grito

No século XVIII o Grito era um assassino. Um dia ele matou a avó e a mãe, só não matou o pai e o irmão porque eles tinham morrido na guerra. O Grito não percebia porque é que matava tanta gente, no fundo ele só espetava facas nos corpos das pessoas e isso deixava-o transtornado: “uma faca no corpo será razão para as pessoas morrerem?” pensava ele.

Como estava a ficar bastante aborrecido com esta história, Grito foi entregar-se as autoridades, dizendo que queria ser preso. Grito é então encarcerado na prisão mais segura da cidade. Não tinha ninguém com quem dividir a cela, todos os dias a mesma comida.

Agora o Grito queria arranjar maneira de se safar da prisão, mas não conseguia arranjar maneira, até que se lembrou de uma ideia que lhe parecia brilhante: espetar uma faca no corpo e fingir-se de morto. Então, um dia ele guardou as facas do almoço e do jantar, espetou a primeira faca na perna, mas achou um disparate morrer por causa de uma faca espetada na perna. Pensou noutra alternativa: espetar uma faca no coração, a partir daqui, ele achou que duas facas espetadas no corpo eram uma razão bastante convincente para alguém morrer.
O Grito gritou. Fim da história e o Grito morreu até hoje.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Manifesto Subúrbia

Desço a rua até ao fim e entro na estação para apanhar o comboio.
No comboio encontro um cego de muletas que me pede uma esmola: “peço desculpa por estar a incomodá-lo, mas o senhor tem uma moeda que me dê para comprar o meu almoço?”
Eu digo-lhe que não tenho dinheiro, que a vida esta difícil para todos e que ele vá chatear outro…
Vou para o centro, as pessoas querem sempre ir para o centro. Porque é que as pessoas querem sempre ir para o centro? No centro sinto que não pertenço a lado nenhum.
No fim do dia, na estação terminal do centro, o frio gela-me os ossos e eu entro no comboio. O comboio chega ao subúrbio. Saio do comboio e oiço o comboio a partir como uma veia que leva o sangue a todas as casas destes pulmões podres. Subo a rua que dava para minha casa. Faz muito tempo que eu não pensava nisto tudo.
Foi no meio destas recordações, destas entranhas que o tempo parou. Volto a olhar para o céu e recordo o tempo em que eu tinha vontade, o tempo em que eu era espontâneo, o tempo em que tinha convicções, o tempo em que era virgem, o tempo em que eu era um mensageiro do belo em terra de feios.

sábado, novembro 22, 2008

fácil

Hoje descobri que um sms pode estragar um dia inteiro de expectativa.
Hoje descobri que com um telemóvel é muito mais fácil fugir.

quarta-feira, novembro 19, 2008

fim do mundo (pelo menos para ele).

O cenário desta história é o mais quotidiano possivel: corredor em hora de ponta.
Quando eles se cruzaram, ela sorrio para ele. Ele ficou apaixonado. Ele não sabia que o sorriso era venenoso. Ele bebeu o sorriso de uma só vez. Foi o fim... do mundo.

domingo, outubro 19, 2008

ilhas.

Podia falar-vos sobre a minha vida, mas isso era muito enfadonho, não era?
Obrigado à academia.

sábado, setembro 27, 2008

!?

Existem aqueles que vivem nas alturas, existem aqueles que vão até às alturas e existem aqueles que ficam a meio.