Não me apetece mandar sms às pessoas que quero encontrar.
Tenho medo de as não encontrar por acaso.
domingo, junho 20, 2010
quinta-feira, junho 17, 2010
Christmas card from a hooker in Minneapolis.
hey Charley I'm pregnant
and living on 9-th street
right above a dirty bookstore
off cuclid avenue
and I stopped taking dope
and I quit drinking whiskey
and my old man plays the trombone
and works out at the track.
and he says that he loves me
even though its not his baby
and he says that he'll raise him up
like he would his own son
and he gave me a ring
that was worn by his mother
and he takes me out dancin
every saturday night.
and hey Charley I think about you
everytime I pass a fillin' station
on account of all the grease
you used to wear in your hair
and I still have that record
of little anthony & the imperials
but someone stole my record player
how do you like that?
hey Charley I almost went crazy
after mario got busted
so I went back to omaha to
live with my folks
but everyone I used to know
was either dead or in prison
so I came back in minneapolis
this time I think I'm gonna stay.
hey Charley I think I'm happy
for the first time since my accident
and I wish I had all the money
that we used to spend on dope
I'd buy me a used car lot
and I wouldn't sell any of em
I'd just drive a different car
every day dependin on how
I feel.
hey Charley
for chrissakes
do you want to know
the truth of it?
I don't have a husband
he don't play the trombone
and I need to borrow money
to pay this lawyer
and Charley, hey
I'll be eligible for parole
come valentines day.
Tom Waits
quarta-feira, junho 16, 2010
A terrível tragédia do Semicontente (2).
O Semicontente confessa que as metáforas sempre o ajudaram a dizer a verdade, mas nunca o livraram do confronto com a realidade.
O Semicontente sabe que as metáforas silênciam os gritos da guerra, mas nem por isso ela se torna menos dolorosa.
O Semicontente vê tudo a desmoronar-se... em câmara lenta.
O Semicontente fica-se pelas metáforas.
Boa Noite Berlim.
O Semicontente sabe que as metáforas silênciam os gritos da guerra, mas nem por isso ela se torna menos dolorosa.
O Semicontente vê tudo a desmoronar-se... em câmara lenta.
O Semicontente fica-se pelas metáforas.
Boa Noite Berlim.
terça-feira, junho 15, 2010
audição\intuição
Hoje fui a uma audição para uma peça de teatro. Foi muito engraçado e até teve direito a contracena com outros candidatos. Bem, no fim o encenador disse-nos: “de vocês todos só vai ser escolhido um, e essa escolha vai corresponder a uma intuição minha, mais nada. Porque já tenho uma imagem do espectáculo.”
Desde esse momento, deixei de confiar nas intuições dos outros.
domingo, junho 13, 2010
O Extravagante (8) - O Fim.
O Extravagante estava à mesa do jantar com a mulher. Toda a vida viveram juntos.
Ela dizia-lhe que ele só sabia incomodar as pessoas e que estava na altura de voltarem para casa. O Extravagante bateu com a mão na mesa, gritou, e com as poucas forças que lhe faltavam Ele disse: Eu só quero que ninguém me chateie.
A mulher calou-se, o velho Extravagante estava fraco e o seu fim estava próximo. A mulher perguntou-lhe se podia ir dormir, Ele não respondeu. Foi nesse momento que o Extravagante percebeu que estava a desenvolver um certo desprezo pelo próximo. Não fazia isto por mal, fazia mesmo por necessidade.
Um dia conheci este Extravagante, não era mau, só não tinha a certeza de gostar de pessoas.
Ela dizia-lhe que ele só sabia incomodar as pessoas e que estava na altura de voltarem para casa. O Extravagante bateu com a mão na mesa, gritou, e com as poucas forças que lhe faltavam Ele disse: Eu só quero que ninguém me chateie.
A mulher calou-se, o velho Extravagante estava fraco e o seu fim estava próximo. A mulher perguntou-lhe se podia ir dormir, Ele não respondeu. Foi nesse momento que o Extravagante percebeu que estava a desenvolver um certo desprezo pelo próximo. Não fazia isto por mal, fazia mesmo por necessidade.
Um dia conheci este Extravagante, não era mau, só não tinha a certeza de gostar de pessoas.
sábado, junho 12, 2010
independência, força, manifesto
Já há muito tempo que não te via, e ainda bem. Ainda bem que este tempo todo passou. Lembras-te da última vez que estivemos juntos? Cheirava a salão de baile.
No ínicio de cada baile entravam sempre as bailarinas que sabiam dançar. Lembro-me tão bem das sapatilhas rotas que elas usavam. Eu ria-me sempre quando entrava a bailarina gorda, sempre com o dedo grande do pé à mostra. Ela era enorme. Lembras-te?
Passaram-se anos e tu estás igual. As tuas mãos ainda têm o mesmo tamanho. Fico muito contente por não me ter cruzado contigo durante todos estes anos, não queria passar estes anos todos a conter as minhas gargalhadas.
Sabes, tenho muita vontade de me rir das tuas piadas, mas não te quero habituar mal. Rir-me do que tu dizes é demasiado perigoso e passar por perigos é sempre uma chatice. Chego a morder o lábio para não me rir. Estás a ver? Comecei a sangrar, este tipo de coisas não se faz com sorriso na cara.
O mais fácil era tu transformares-te em nuvem, não olho para o céu assim tantas vezes. Assim era mais fácil do que andar para aqui a morder o lábio.
Vou contar-te um segredo: tenho medo do céu, tenho medo que seja muito diferente da minha casa; a minha casa é feia e tu és bem capaz de ter sido a coisa menos tosca que por lá andou.
(ando à espera que estas coisas me aconteçam a mim e deixem de ser ficção)
No ínicio de cada baile entravam sempre as bailarinas que sabiam dançar. Lembro-me tão bem das sapatilhas rotas que elas usavam. Eu ria-me sempre quando entrava a bailarina gorda, sempre com o dedo grande do pé à mostra. Ela era enorme. Lembras-te?
Passaram-se anos e tu estás igual. As tuas mãos ainda têm o mesmo tamanho. Fico muito contente por não me ter cruzado contigo durante todos estes anos, não queria passar estes anos todos a conter as minhas gargalhadas.
Sabes, tenho muita vontade de me rir das tuas piadas, mas não te quero habituar mal. Rir-me do que tu dizes é demasiado perigoso e passar por perigos é sempre uma chatice. Chego a morder o lábio para não me rir. Estás a ver? Comecei a sangrar, este tipo de coisas não se faz com sorriso na cara.
O mais fácil era tu transformares-te em nuvem, não olho para o céu assim tantas vezes. Assim era mais fácil do que andar para aqui a morder o lábio.
Vou contar-te um segredo: tenho medo do céu, tenho medo que seja muito diferente da minha casa; a minha casa é feia e tu és bem capaz de ter sido a coisa menos tosca que por lá andou.
(ando à espera que estas coisas me aconteçam a mim e deixem de ser ficção)
quinta-feira, junho 10, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
segunda-feira, junho 07, 2010
a melhor montra era o meu elevador.
Outro dia entrei no elevador e o espelho estava desfeito em cacos no chão. Como bom cidadão que sou, sai do elevador e não avisei ninguém. Tive a leve impressão de que poderia ser acusado de ter partido o espelho.
A verdade é que nesse dia não me importei com o facto de o espelho estar partido. Mas agora, passadas duas semanas, o meu coração não aguenta a falta daquele espelho. Cada vez que saio de casa, tenho a sensação de estar desajeitado. A luz da minha casa de banho não me favorece tanto como a luz cinematográfica do elevador.
Na hora da passagem do leito para o confronto com a realidade, era aquele espelho que me sussurrava ao ouvido: “és o maior”. Agora tenho de me contentar com as montras reflectoras que vou encontrado nas ruas.
O meu ego anda instável com esta situação. E até tenho medo do novo espelho que "eles" vão lá pôr.
A verdade é que nesse dia não me importei com o facto de o espelho estar partido. Mas agora, passadas duas semanas, o meu coração não aguenta a falta daquele espelho. Cada vez que saio de casa, tenho a sensação de estar desajeitado. A luz da minha casa de banho não me favorece tanto como a luz cinematográfica do elevador.
Na hora da passagem do leito para o confronto com a realidade, era aquele espelho que me sussurrava ao ouvido: “és o maior”. Agora tenho de me contentar com as montras reflectoras que vou encontrado nas ruas.
O meu ego anda instável com esta situação. E até tenho medo do novo espelho que "eles" vão lá pôr.
domingo, junho 06, 2010
seitan.
Fui a Coimbra, já não ia lá para cima de um ano. Contra tudo o que eu esperava\desejava, fomos a um restaurante biológico. Da lista, o bife de seitan com molho de pimenta parecia-me o mais próximo de um petisco da Portugália. Pedi então essa substância a que "eles" chamam seitan.
Devo dizer que a minha expectativa quanto à virilidade daquele bife era pouca. Não me desiludiu e até me surpreendeu. Para já, olhei para ele e quase me pareceu uma bela i
entremeada com um coirato bastante convidativo. Depois, o molho de pimenta fazia lembrar os melhores molhos das clássicas cervejarias. Finalmente, é importante referir o enjoo tremendo que aquilo me provocou: algo digno, até agora, das grandes feijoadas.
Devo dizer que a minha expectativa quanto à virilidade daquele bife era pouca. Não me desiludiu e até me surpreendeu. Para já, olhei para ele e quase me pareceu uma bela i
entremeada com um coirato bastante convidativo. Depois, o molho de pimenta fazia lembrar os melhores molhos das clássicas cervejarias. Finalmente, é importante referir o enjoo tremendo que aquilo me provocou: algo digno, até agora, das grandes feijoadas.
quinta-feira, junho 03, 2010
segunda-feira, maio 31, 2010
as coisas que eu odeio (I)
Odeio filas de trânsito quando EU tenho pressa.
Odeio não perceber o que os outros dizem.
Odeio não perceber o que eu digo.
Odeio ter de rir sem vontade.
Odeio que me batam nas costas.
Odeio comprometer-me ao fim de semana.
Odeio peles nas unhas.
Odeio cortar o dedo numa brincadeira estupida.
Odeio quando não se riem das minhas piadas hilariantes.
Odeio estar a apaixonado.
Odeio não estar apaixonado.
Odeio não comandar uma conversa.
Odeio que se riam de mim.
Odeio sentir os boxers enfiados no rabo.
Odeio não poder fazer a esparregata.
Odeio ter de voltar a casa com a porta do comboio escancarada à espera que eu entre.
Odeio querer ser criativo e não ter ideias.
Odeio que os outros me vejam chorar.
Odeio perceber que o melhor da turma não sou eu.
Odeio beijar miúdas e perceber que o bigode delas me pica mais a mim, do que o meu lhes pica a elas.
Odeio casas com muita mobília. (cria pó)
to be continued...
Odeio não perceber o que os outros dizem.
Odeio não perceber o que eu digo.
Odeio ter de rir sem vontade.
Odeio que me batam nas costas.
Odeio comprometer-me ao fim de semana.
Odeio peles nas unhas.
Odeio cortar o dedo numa brincadeira estupida.
Odeio quando não se riem das minhas piadas hilariantes.
Odeio estar a apaixonado.
Odeio não estar apaixonado.
Odeio não comandar uma conversa.
Odeio que se riam de mim.
Odeio sentir os boxers enfiados no rabo.
Odeio não poder fazer a esparregata.
Odeio ter de voltar a casa com a porta do comboio escancarada à espera que eu entre.
Odeio querer ser criativo e não ter ideias.
Odeio que os outros me vejam chorar.
Odeio perceber que o melhor da turma não sou eu.
Odeio beijar miúdas e perceber que o bigode delas me pica mais a mim, do que o meu lhes pica a elas.
Odeio casas com muita mobília. (cria pó)
to be continued...
domingo, maio 30, 2010
sms\livro
Estava a ler um sms no telemóvel ao mesmo tempo que lia um livro. Foi incrível a passagem de um suporte para o outro, tive a sensação de estar a ler um sms quando voltei ao livro. No livro dizia qualquer coisa como: “espero que não me interpretes mal!”. Ora isto fez-me\deu-me um friozinho na barriga, porque tinha acabado de receber uma mensagem a dizer: “perdes-te a oportunidade de me ver bêbeda” (?????)… será que isto é uma mensagem do divino?
Pois eu digo, do divino não será, mas lá que há coisas que uma pessoa fica à rasca, lá isso há!
Pois eu digo, do divino não será, mas lá que há coisas que uma pessoa fica à rasca, lá isso há!
sexta-feira, maio 28, 2010
quinta-feira, maio 27, 2010
sobre aquela coisa que nós gostamos muito.
"Há sempre algo no teatro de que não gosto, porque o teatro é o contrário da vida; no entanto volto sempre a ele e amo-o, porque é o lugar onde posso dizer: isto não é vida."
Bernard-Marie Koltès
Bernard-Marie Koltès
quarta-feira, maio 26, 2010
segunda-feira, maio 24, 2010
ontem.
E agora a poesia está.
E agora estamos todos poéticos.
E agora estou.
Não quero saber do luar, só do que está debaixo dele.
Quero ver uma imagem e fazer parte dela.
Posso ser um filho morto, caído de cabeça pendurada, ao colo de uma mãe. Matrona que a natureza escolheu. Mãe dos guerreiros sem armas de metal. Mãe árvore que testemunha o círculo (quase) perfeito, círculo que nos devolve a vida enquanto os ramos se cansam.
E agora os filhos morrem nas palavras e vivem nas entre-linhas.
E agora estamos cada vez mais cheios de recordações e vazios de espirito.
E agora fechamos o parêntesis.
E agora?
E agora estamos todos poéticos.
E agora estou.
Não quero saber do luar, só do que está debaixo dele.
Quero ver uma imagem e fazer parte dela.
Posso ser um filho morto, caído de cabeça pendurada, ao colo de uma mãe. Matrona que a natureza escolheu. Mãe dos guerreiros sem armas de metal. Mãe árvore que testemunha o círculo (quase) perfeito, círculo que nos devolve a vida enquanto os ramos se cansam.
E agora os filhos morrem nas palavras e vivem nas entre-linhas.
E agora estamos cada vez mais cheios de recordações e vazios de espirito.
E agora fechamos o parêntesis.
E agora?
Subscrever:
Mensagens (Atom)
