sábado, junho 24, 2006

"Mon amour, l'aventure commence..."


Termina aqui a minha participação no sem registo.

Até sempre!

terça-feira, junho 20, 2006

O Extravagante (6): nas ruas da amargura.


Ele passeava pelas ruas da amargura, numa melancolia extravagante que só Ele sabe fazer sem complexos.
A causa dessa melancolia extravagante era nunca ter tido uma paixão extravagante em toda a Sua vida.
Ele só tinha medo de descobrir uma pessoa que fosse mais extravagante do que Ele.

domingo, junho 18, 2006

Democracia das Emoções (18): sarcasmo

O melhor amigo de infância dele e a melhor amiga de infância dela vão casar.
Eles estão separados: um do outro e das respectivas infâncias.

Toda a infância perdida é um convite de casamento sarcástico.

sexta-feira, junho 16, 2006

Democracia das Emoções (17): efeito secundário

Ela só queria um homem que a fizesse rir.
Ele só queria uma mulher que o fizesse chorar.

Hoje descobriram que vão ser pais.

O Impertinente (28): meios aéreos

Ela disse: "Está um rapaz a arder em cima do muro."

E foi então que alguém perguntou pelos meios aéreos.

terça-feira, junho 13, 2006

Sintoma (20): auto-terapia


Desmanchar

Sou roda que gira. Sou pedra que rola.
Sou sangue envenenado. Sou peão atropelado. Sou música e o eco na tua cabeça. Sou pombo depenado. Sou vagina e tenho duas coxas. Sou tempestade. Sou destruição e papel rasgado. Sou bailarina. Sou manca. Sou uma roda que trava. Sou uma pedra que parte. Sou abraço e a saia que enche. Sou literatura e a depravação dos copos. Sou obscenidade em cima da mesa quando rasgam a camisa. Sou tecla de piano batida furiosamente. Sou racionalmente desmanchada. Não consigo. Não consigo parar as veias que me mandam para a frente. Não consigo, mas quero! Quero abandonar este barco de amor e navegar em tábuas para naufragar até longe e encontrar uma ilha. Uma ilha...


sábado, junho 10, 2006

Democracia das Emoções (16): cônjuges e conjugalidades

Ele só quer dividir tarefas domésticas com alguém especial.
Ela só quer alguém especial para dividir tarefas domésticas.

Na experiência pós-romântica os ideiais de conjugalidade tendem a autonomizar-se dos cônjuges ideais: o (des)amor pelo cônjuge pode ser superado pelo (des)amor à prática conjugal.

terça-feira, junho 06, 2006

O Impertinente (27): imperativos de continuidade

Viveu sempre numa depressão pós-parto: sem nunca poder reclamar a paternidade da sua angústia.
Quando chegou a hora da morte descobriu-se filho de alguma coisa deste mundo.
Pôde então descansar com a certeza de que nenhuma angústia é totalmente desprovida de sentido.

domingo, junho 04, 2006

E foi assim que este chegou a mestre...


Rodin and The Thinker, Edward Steichen, 1902

sábado, junho 03, 2006

Sintoma (19): educadores

1) "PAIS VÃO AVALIAR PROFESSORES"

2) "PROFESSORES VÃO AVALIAR PAIS"

A educação é aprovada por excesso de faltas; os alunos reprovam por excesso de comparência.

quarta-feira, maio 31, 2006

o sorriso de uma árvore

pois, se calhar tens razão...

Fragmentos (de dia menos bom).

Há dias em que desenhar o sorriso das árvores não chega.

O Impertinente (26): falsa partida

Ele decidiu fazer como toda a gente faz: correr atrás da felicidade.
[1,2,3...partida!]
Quando olhou para trás, a felicidade ainda lá estava.

segunda-feira, maio 29, 2006

Toda a infância perdida é uma paternidade em potência...


Le temps qui reste, de François Ozon

domingo, maio 28, 2006

Fechado para obras (4): infância e paternidade

Às vezes, a criança que há nele desperta, para logo lhe perguntar:
"Pai?"
Toda a infância perdida é uma paternidade em potência.

sábado, maio 27, 2006

Memórias poéticas (9)


Robert Doisneau, Le Basier de L'Hotel de Ville, 1950

terça-feira, maio 23, 2006

Será que vou apanhar uma bengalada do poeta?

Inicío por dizer que até comento. Comento pois! Mas o tempo! Não o poema. Faz sol e está um calorzinho agradável. Digo que o poema não tem rima. Estão algumas nuvens no céu mais uns pássaros distraídos. Não sei a métrica. Não sei se vai chover. O poeta já morreu. Ventos a soprar moderado. Ah, é um soneto. Precipitação para amanhã, talvez. De resto, não quero ofender ninguém e tenho respeito pelos mortos. Mas até vou-me, pois tenho de fomentar (comentar) um poema. Preferia que chovesse.

segunda-feira, maio 22, 2006

Democracia das Emoções (15): porta aberta

Ele nunca se apercebe da presença dela.
Ela nunca repara nas ausências dele.

Ontem a porta ficou aberta: toda a noite.

domingo, maio 21, 2006

Memórias poéticas (8)

Depois do teatro dos sonhos surge a questão inevitável:

"Ainda dormes de luz acesa?"