quinta-feira, setembro 25, 2008

Necessidades (3)

Preciso de olhar para a direita e dizer: já sei o teu nome.

quarta-feira, setembro 03, 2008

dorme.

Regressamos ao dormitório da vida. Os raios de sol são escassos mas fortes. Ficamos embriagados pela sonolência, e o resto são ilusões, são sonhos. Gritamos que esta vida não chega e dormimos sobres os nossos próprios cadáveres.
S.O.S suburbia. Alguém à escuta?

sábado, agosto 23, 2008

Necessidades (2)

Preciso de estar em estado de graça. (é pedir muito?)

sexta-feira, agosto 22, 2008

Necessidades (1)

Preciso de uma piscina para mergulhar de cabeça.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Ao império dos corpos queimados.

Um corpo dividido em três partes. Um corpo de ódio, amor e solidão. Corpo de rei e de escravo.
O corpo queria escolher ser sempre rei, mas o escravo também é rei.
A guerra dos reis que queriam escravizar os outros reis começou, e os corpos ainda não eram nascidos.
Queriam ser absolutos, porque não sabiam lidar com o escravo que existia dentro de cada um.
E assim nasceu Hitler... sózinho com o seu escravo, num campo de concentração a fumar cachimbos de corpos queimados.

domingo, julho 06, 2008

Folia - Tu és Isso



Texto: Paulo Borges; Encenação/Direcção Artística: Rui MárioDramaturgia: Paulo Borges, Teatro TapaFuros; Direcção Musical/ Arranjos: Pedro Hilário; Direcção de Actores: Samuel Saraiva; Cenografia/ Adereços: Carlos Ramos; Vídeo: Samuel Saraiva; Desenho de Luz: José Miguel Antunes, Mário Trigo; Design / Web: Pedro Marques; Fotografia: Sérgio Santos Figurinos: Elisabete Figueira, Pedro Marques; Interpretação: Anabela Faustino, Filipa Duarte, João Rafael, José Redondo, Mário Trigo, Nuno Pinheiro, Paulo Cintrão, Rute Lizardo, Samuel Saraiva; Figuração/Teatro Reticências: Ana Rita Neves, Ana Trindade, Bárbara Carlos, Carolina Salles, Catarina Salgueiro, Catarina Trindade, David Severino, Inês Amaro, Marco Silvestre, Mário Portelinha, Nidia Roque, Pedro Manaças; Músicos: Alexandre Leitão, António Neves, Jorge Domingues, Miguel Costa; Montagem Vídeo/Soldado: Rui Zilhão; Vozes Off: Adele Sidaru, Jorge Telles de Menezes, Inês Figueira, Natacha Quaresma, Paulo Borges, Ricardo Ventura, Rui Lopo, Rui Mário, Vanessa Muscolino; Costureiras: Dília Queiroz, Adélia Canelas; Luminotécnia: Fábio Ventura, Gonçalo Africano; Apoio à Montagem: Emanuel Ventura, Marco Silvestre, Pedro Manaças; Limpeza: D. Lizete; Direcção de Cena: Sónia Tobias; Frente de Sala: Filipa Tobias, Tânia Tobias; Produção Executiva: Catia Martin; Direcção de Produção: Marco Martin
3 de Julho a 14 de Setembro 5ª a Sábado - 22h Domingos - 20h
Quinta da Regaleira - Sintra

sábado, junho 21, 2008

por incrível que pareça...

Os portões majestosos guardavam os segredos que conhecia, mas não me lembrava.
Fez-se a luz da saudade.

domingo, abril 20, 2008

O Extravagante (7) - choque

Ela: Já não se pode confiar em ninguém neste mundo!
Extravagante: Olhe, mude de mundo...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Os Olhos do MUndo e a Fortuna


SINOPSE
Fortune and Men’s Eyes (título retirado do Soneto XXIX de Shakespeare) é uma peça crua e amarga sobre a degradação e a brutalidade física e moral num reformatório masculino. O protagonista é SMITTY, que cumpre uma pena de seis meses por um delito menor. A peça foca a sua transformação de um ser humano essencialmente não criminoso e até um pouco naïf num prisioneiro empedernido, que acaba por se tornar ainda mais insensível e cínico do que os companheiros de cela. Os companheiros de cela são três: ROCKY, oportunista, manhoso e gabarolas; QUEENIE, agressivamente “bicha” quando lhe convém, que manobra o sistema iníquo do reformatório em seu proveito; e LEO (“Mona Lisa”), um rapaz meigo que aprendeu a separar corpo e consciência para ir sobrevivendo. A interacção destes personagens cria a dinâmica da peça, uma tensão sombria que resulta na corrupção final de Smitty.

Texto: John Herbert Adaptação\Encenação: José Henrique Neto
Assistência de Encenação: Paulo Brito Execução Cenográfica: Carlos Ramos
Interpretação: João Vicente, José Henrique Neto, José Redondo, Luís Lobão, Tomás Alves
Produção: Edipoética
ESPAÇOKARNART, Rua da Escola de Medicina Veterinária 21, 1000-127 Lisboa
Reservas:
966864730
918991330
grupo373@gmail.com
grupo373.blogspot.com

quarta-feira, janeiro 02, 2008

ouvir...

"No palco, na maioria dos casos, apenas assumimos um ar de ouvir com atenção."

Constantin Stanislavski

quinta-feira, setembro 20, 2007

Valete Fratres!

Para sempre, um enorme amor nos iluminará os corações, para sempre em Folia!, agora um enorme vazio, sem saber muito para quem nos havemos de virar.
Se calhar estamos no começo de uma transformação no mais íntimo de nós.
Se calhar estamos no começo de uma revolução.

terça-feira, agosto 28, 2007

Depois dos porcos que falam...

Sempre ouvi falar de gajos de meia idade que afogam as mágoas com bebidas alcoólicas.
Durante meses, sempre que chegava a casa a altas horas da noite, deparava-me com o meu vizinho do 4º andar a cair de bêbedo pelas escadas e sempre a queixar-se da vida com um discurso que mostrava uma suspensão temporal na vida deste individuo.
Depois de me ter cruzado com este homem para aí umas vinte vezes, comecei a perguntar-me se depois de terem inventado um porquinho chamado Babe e que sabe falar, não teriam também inventado uma mágoa chamada Vanda e que sabe nadar.
Cuidado meus amigos: afoguem as vossas mágoas antes que elas aprendam a nadar!

Sexto

Este elevador é a minha amnésia.

segunda-feira, agosto 20, 2007

....

Desta vez fica só para mim.
Dancemos.

segunda-feira, agosto 13, 2007

O velho é que sabia.

Que, palhaços do circo do Senhor,
sejamos loucos do mais belo siso
transformando em jogo a nossa dor
e a dádiva das lágrimas em riso.

Agostinho da Silva

Folia!

Texto: Paulo Borges

Encenação: Rui Mário

Pelo Teatro TapaFuros

Quinta da Regaleira - Sintra
de 5 de Julho a 16 de Setembro
5ª a Sáb.: 22h Dom.: 20h


«A noite abre-se em luz. Nocturno cantado em voz de árvore, de atento mocho. Vozes muitas que anseiam paz. Vozes do mundo, no mundo... Folia nos ilumina, folia nos inflama! Flama de cor a romper solidão, a romper surdos gritos. Dos caminhos da Terra surgem homens e mulheres que sentiram uma voz que chama, em chama. Arde-lhes no peito. É o tempo? Os portões abrem-se, a mansão tem muitas portas, luz habita os salões e ri do serão... Esta a luz que vestirão. Homens e mulheres da Terra, convidados para a festa da Luz, convidados em mistério.» Rui Mário

Texto: Paulo Borges; Encenação/Direcção Artística: Rui Mário; Dramaturgia: Paulo Borges, Teatro TapaFuros; Direcção Musical/ Arranjos: Pedro Hilário; Direcção de Actores: Samuel Saraiva; Interpretação: Carla Dias, Filipe de Araújo, João Vicente, Paulo Cintrão, Mário Trigo, Rute Lizardo, Samuel Saraiva, Vera Fontes; Músicos: Alexandre Leitão, António Neves, Jorge Domingues, Miguel Costa; Cenografia/Adereços: Rui Zilhão; Coreografia: Mercedes Prieto; Vozes Off: Elisabete Figueira, Jorge Telles de Menezes, Inês Figueira, Natasha Quaresma, Paulo Borges, Ricardo Ventura, Rui Lopo; Desenho de Luz: José Miguel Antunes, Mário Trigo; Design / Web: Pedro Marques; Fotografia: Sérgio Santos; Figurinos: Elisabete Figueira, Pedro Marques; Costureiras: Ana Tobias, Doroteia Tobias; Luminotécnia: Fábio Ventura, Facas Valente, João Rafael, Laura Scheidecker; Apoio à Montagem: Emanuel Ventura, Gonçalo Africano; Direcção de Cena: Marco Martin, Rui Mário, Sónia Tobias; Frente de Sala: Ana Rita Neves, Catarina Trindade, Inês Amaro, Joana Martins, Maria Silva, Tânia Tobias; Produção Executiva: Sónia Tobias; Direcção de Produção: Marco Martin

quinta-feira, abril 05, 2007

Naquele lado da rua

Do outro lado da rua, um louco suicidava-se do rés do chão enquanto um velho cego passava e bengaleava contra sacos de plástico.
Cada vez mais, os calções dos miúdos colavam às pernas por causa do calor e continuavam a jogar à bola.
Na esquina, um pássaro acabava de levantar vôo enquanto a comida passava, levantada do chão pelos braços gordos de uma mulher com pressa de chegar à hora do almoço.
Do mesmo lado da rua, o sol batia contra o vidro reflectindo espirais multicolores para o espaço.
Um louco suicidava-se do rés do chão com esperança da morte e de que ninguém abrisse a porta do quarto. Um louco suicidava-se na encenação da queda no meio do passeio. Eu assistia à queda e ao calor que lhe aparava a roupa. Ele revolvia os braços e as pernas numa agitação cada vez mais rápida até que bateu no chão. E morreu!
E só depois gritei e vi o sangue a espalhar-se pela rua. Alguém abrira a porta do seu quarto e fechara a janela e o sangue já chegava ao lado da minha rua. O louco estava morto. Causa da morte: a sua personagem.

terça-feira, março 20, 2007

Naquele caminho que me perdeu

Sei as poças daqui. Sei os seus lugares indevidos e os seus humores de catástrofe. Mas não sabia que a chuva vinha de mim. Que havia sempre o outono em cada àrvore. Que a pressa era tão lenta como a queda de uma folha de um ramo alto. Sabia que não existiam anjos, mas homens e mulheres que voam. Não sabia que, afinal, tenho uma certeza: as casas. Trepava uma para ver o fim do mar, para ver como era ser longe. E era longe e não acabava no meu olhar. O silêncio dos telhados terminava na ponta dos meus dedos roídos e, nós, quedos perante uma imensidão que nos engolia. Eu preferia adormecer rocha, para quando o tempo devorar, eu permanecer matéria. Ou levantar-me falésia para ter o doce do mar a lavar-se em mim. Do alto, vi o meu coração pendurado por uma mola no estendal. A secar. Ainda a bombar sangue do nada. Menos um peso. Menos um coração. Para quê se me faz frio? Antes as minhas mãos com asas.
Antes que descesse para a escada, pensei no salto grande que teria de dar se quisesse pousar de pé. Tive de pensar no balanço e deixar que o meu corpo rompesse as minhas roupas e saltasse. Lá foi ele, entre a vertigem e os prédios. Cá de cima, ouvi um baque. Não! Um Bach que saiu-me monstro das mãos. Por instantes, tive de repetir o meu pensamento para coordenar-me no meio dos gestos que fazia horrorizada. Afinal, o destino poderia não ter fim. Tive de calar-me para que pudesse ouvir que ainda pisava o telhado, mas o meu corpo lá em baixo! Mas o meu corpo aberto para que todos vissem como eu era, para que todos vissem a minha beleza liquidada no chão. Para que todos vissem o coração que me faltava e que estava pendurado num estendal a secar.

sexta-feira, março 16, 2007

em cena.

" A revolução é a máscara da morte."
de 15 de Março a 2 de Junho 5ª, 6ª e Sábado 21h30
Anfiteatro da Cantina Velha da U.L.
Metro da Cidade Universitária

Ficha Técnica

Actores: Ana Gil, Joana Guerra, João Vicente, Madalena Palmeirim, Susana Gaspar, Nuno Matos, Soraia Granja, Laura Tomás, Reinaldo Almeida, Flávio Nunes, Miguel Silveira Encenação: Ávila Costa Tradução: Anabela Mendes Assistência de Encenação: Miguel Fonseca e Ricardo Silva Dramaturgia: Anabela Mendes, Ávila Costa, Rui Teigão, Ricardo Silva, Miguel Fonseca e gtl Produção: Rui Teigão e gtl Desenho de Luz: Ávila Costa Banda-Sonora: João Santos Design: João Vicente Operador de Luz: Pedro Marques Operador de Som: João Santos Figurinos e Slides: Eduardo Guerra e Luísa Seixas Técnicos de Luz: Pedro Sousa e Paulo Oliveira

Agradecimentos: Dr. Luís Fernandes, Dra. Valentina Matoso, Dra. Isabel Bruxo, Sasul, Aeflul, RUL, FCG, Profª. Anabela Mendes, Profª. Vera San Payo de Lemos, Profª. Maria João Brilhante, CET, Prof. Fernando Guerreiro, Luís Miguel Cintra, Teatro da Cornucópia, Amélia Barriga, Profª. Manuela Ribeiro Sanches, Isabel Aires, Sofia Meireles.



sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Fragmentus Suburbia (14): entranhas.

Porque o rapaz foi para a cidade no primeiro comboio, deixou de recordar os subúrbios, aquele, o da sua infância. O desafio era outro, o da faculdade. A realidade crua do lápis e da caneta que constroem a vigas secas de betão. Uma realidade que ainda não lhe está nas entranhas, qualquer coisa de repulsa. Afinal, o rapaz só queria regressar para a pureza deste espirito.
A cidade faz esquecer as origens, até ao momento em que nos esmaga na hora de apanhar o comboio de volta para casa. Foi isso que o rapaz sentiu, que já não pertencia a lado nenhum, mas quando o frio da noite gela os ossos na estação terminal da cidade, os olhos enchem-se de lágrimas porque ele recorda-se que nas entranhas há qualquer coisa que viveu, qualquer coisa que ele recordava como um palco onde as luzes dos projectores fulminavam as vidas das donas de casa que estão no comboio.
O comboio chega ao subúrbio, o rapaz sai da estação, pensou em alguma coisa como "apesar de tudo, estava mais quente dentro do comboio". Sobe a rua que dava para sua casa, ouve o comboio a partir com o seu som gasto e velho como uma veia que leva o sangue a todas as casas.
Faz muito tempo que ele não pensava nisto tudo, como um relâmpago lembrou-se dos poetas que conhecera e que lhe falavam de um salão de baile e de um teatro que ficava por baixo de uma igreja. Foi no meio destas entranhas, destes pulmões podres, que ele voltou a olhar para trás no cimo da rua, para ter a certeza de que ainda sabia onde espreitava a lua.