domingo, setembro 11, 2005

Filmology II – on Elia Kazan’s A Streetcar Named Desire (1951)

No bairro francês de New Orleans tudo era cópia de qualquer parte de Paris, com a diferença de que os Champs Elysées podiam perfeitamente ser ruelas estreitas e escuras e sujas; mas a rainha do quarto de hóspedes dos fundos mantinha as tiaras e os mantos e as peles trancados no baú, just in case…
Blanche recebia o correio porque acabava sempre por ficar sozinha em casa. ‘you know those rainy days, when an hour is no longer an hour but a piece of eternity in your hands?’, ela soprava ao rapaz, com o jornal do dia e as cartas para a irmã e para o cunhado na mão, ‘who knows what to do with that?’ Ele fez que não com a cabeça e com o olhar.
Ela pelo menos sabia; conhecia bem a morte e não se deixava nunca apanhar à luz dos candeeiros, ainda que no nevoeiro se ouvisse, distante, “Flowers, flowers for the dead.”
‘Death; the opposite is desire’, papéis da venda da casa da família no fundo da mala, ninguém ali entendeu o alcance do que a rainha Blanche quis dizer quando perguntou ao rapaz da estação de New Orleans pelo eléctrico chamado desejo.
“Flowers, flowers for the dead.”

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