sexta-feira, agosto 26, 2005

Da segurança.

Gosto de pensar que a cadeira da varanda em frente vive por mim tudo aquilo que, daqui, me vejo a ver do outro lado. Mais: porque está sempre lá e com a atenção de não ver nada, não lhe escapa o que seguramente se me escoaria na preguiça dos sentidos.
Agrada-me tanto ser suficiente que lá vá de vez quando, para confirmar uma vez mais que é de facto um fenómeno notável que os dias se repitam e também estejam sempre lá, que me parece muito razoável respirar fundo e nem sequer sentir obrigação nenhuma (especialmente das que se prendem com a irrepetibilidade do momento) de me levantar do sofá para ir ver a cor fabulosa que o ar tem a esta hora particular.

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